Democratas abrem caminho para reforma na saúde americana

Macarena Vidal. Washington, 19 dez (EFE).- Com o anúncio hoje do apoio do senador Ben Nelson, a maioria democrata no Senado dos Estados Unidos já conta com os votos necessários para aprovar a aguardada e polêmica reforma no sistema de saúde, algo em que o presidente Barack Obama apostou boa parte de seus prestígio político.

EFE |

A confirmação do apoio de Nelson, senador pelo estado de Nebraska, dá ao Partido Democrata os 60 legisladores que precisa para evitar possíveis vetos da oposição no Senado, que tem 100 cadeiras.

Nelson tinha se mostrado reticente sobre apoiar a medida, ao considerar que deveria conter mais pontos contra o aborto.

O senador é um firme inimigo do direito à interrupção da gravidez e queria que a medida proibisse o uso de dinheiro público para tal prática, algo que conseguiu.

O congressista divulgou seu apoio depois que o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, anunciou uma série de modificações no projeto, incluindo as concessões a Nelson no tema do aborto e financiamento para o estado que o senador representa.

Segundo declarou Nelson em coletiva de imprensa hoje no Capitólio, "a mudança nunca é fácil, mas é o que os EUA precisam atualmente".

"Vou votar a favor da reforma do sistema de saúde porque com ela são cortados os crescentes custos da saúde para as famílias, os trabalhadores e os grupos rurais de Nebraska", anunciou o senador, que aplaudiu as mudanças incluídas.

Já Harry Reid reforçou que com o sim de Nelson os democratas já têm garantidos os 60 votos necessários para aprovar a medida, após meses de debate e negociação no Capitólio.

O objetivo dos democratas é aprovar a medida antes do natal, o que poderia supor uma votação durante a própria noite de 24 de dezembro.

A versão definitiva da medida proposta pelos democratas eliminou a criação de uma opção pública, um seguro de saúde público que concorreria com o setor privado.

Em seu lugar, será permitido às seguradoras privadas que ofereçam planos de cobertura no país inteiro, em vez de ficarem submetidas às regras de cada estado em particular.

Uma das grandes inovações da medida é a proibição às seguradoras de rejeitar cobertura aos que já sofrem de alguma doença.

A proibição teria efeito imediato para as crianças e se estenderia a toda a população até 2014.

O projeto de lei, cujos benefícios excluem os imigrantes ilegais, também impõe mais limites aos lucros dessas companhias.

Apesar do anúncio do apoio de Ben Nelson, a oposição republicana procura atrasar o mais possível a votação sobre o projeto.

Assim, este fim de semana obrigaram que seja lido em plenário o texto que contém as emendas, de mais de 300 páginas, o que se calcula que levará horas.

A oposição republicana multiplicou suas críticas contra a medida, que segundo o líder da minoria, Mitch McConnell, representa "um erro legislativo de proporções históricas".

De acordo com McConnell, o projeto causará cortes nos orçamentos da Medicare - o programa de cobertura médica para os aposentados - e "altas espetaculares nos impostos".

Segundo os democratas, o Escritório de Supervisão Orçamentária, o braço auditor do Congresso, prevê que com a medida o déficit possa ser reduzido em US$ 130 milhões ao longo de dez anos.

Uma vez que o Senado aprove sua versão da reforma de saúde, terá que adaptá-la com a já aprovada no mês passado pela Câmara de Representantes, antes de poder enviar o projeto definitivo à Casa Branca, para que Obama promulgue. EFE mv/rr

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