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Democracia na Argentina acelerou queda de ditadura no Brasil, dizem analistas

Maricel Seeger. Buenos Aires, 30 out (EFE).- O restabelecimento da democracia na Argentina, no fim de 1983, foi o primeiro elo de um processo de quedas das ditaduras de Brasil, Chile, Uruguai e de outros países do Cone Sul, que até então estavam unidos para reprimir oposições internas, no âmbito do chamado Plano Condor.

EFE |

"Sem a democratização da Argentina não sei se os demais países teriam alcançado o mesmo objetivo, mas tenho certeza que ela, como pioneira, foi de grande ajuda e muito importante para a região", disse Sebastião do Rego Barros, ex-embaixador do Brasil na Argentina e conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), à Agência Efe.

Em 30 de outubro de 1983 foi selado o fim da ditadura militar argentina - iniciada em 1976 -, por meio de eleições gerais que acabaram por reinstalar a democracia no país com a chegada de Raúl Alfonsín à Presidência em 10 de dezembro desse mesmo ano.

Depois do fim do Governo militar na Argentina, chegou a hora de Brasil (1985), Uruguai (1985), Chile (1990) e Paraguai (1991) terem o mesmo destino.

No Brasil, que conviveu com regimes militares durante duas décadas (1964-1985), a democracia foi resgatada por meio da eleição à Presidência via Colégio Eleitoral de Tancredo Neves em 1985.

Tancredo, no entanto, não chegou a assumir o cargo, ao adoecer às vésperas da posse. Faleceria em 21 de abril de 1985, e seu vice-presidente, José Sarney, acabaria oficializado à frente do Governo, empreendendo o leque de reformas que levaram à Constituição de 1988.

Embora a restauração da democracia tenha chegado formalmente antes para Bolívia (1982) e Peru (1980), analistas coincidem em afirmar que a experiência da Argentina foi a que "incidiu" nos outros países do Cone Sul.

"Historicamente sempre existiu uma correlação de fatores na região. Não só no que diz respeito à queda das ditaduras, como também no caso das declarações de independências e o início de golpes militares", declarou à Efe o especialista em Relações Internacionais Anibal Jozami, reitor da Universidade Nacional de Tres de Febrero, da Argentina.

Jozami considerou ainda que a ditadura argentina "foi muito mais grave que a de outros países, pela dureza da repressão e a quantidade de vítimas".

Comentou, no entanto, que "foi mais rápido" o processo no país rumo à democracia, disparado pela Guerra das Malvinas, contra o Reino Unido, em 1982.

O jornalista Jorge Lanata, fundador dos jornais argentinos "Crítica de la Argentina" e "Página/12", considerou que os processos como os que puseram fim a 17 anos de ditadura no Chile e a 12 no Uruguai "trataram de fazer uma transição sem conflito".

Em 1983, começaram no Chile os protestos contra o regime de Augusto Pinochet (1973-1990), enquanto as forças democráticas se articulavam para lutar pela recuperação da democracia, apesar da sangrenta resposta da ditadura.

Naquela época a discussão política no Chile se centrava entre aqueles que diziam que era necessário buscar acordos, enquanto os chamados "intransigentes" anunciavam que só mediante enfrentamentos era possível acabar com o Governo militar, algo que finalmente aconteceu em 5 de outubro de 1988, com o plebiscito que disse "não" a Pinochet.

O referendo abriu passagem às eleições de 1989, nas quais saiu-se vencedor o democrata-cristão Patrício Aylwin, que assumiu a Presidência em março de 1990.

Para os chilenos que lutaram pela democracia, o fim do regime militar na Argentina foi "uma grande notícia que influiu de forma decisiva no processo" vivido em seu país, declarou à Efe o senador Camilo Escalona, presidente do Partido Socialista do Chile.

Além disso, Escalona opinou que o momento representou "um grande alívio", porque permitiu finalizar na Argentina a guerra suja exercida pelas ditaduras contra os opositores por meio da Operação Condor, orquestrada nos anos 70 e 80 por várias ditaduras latino-americanas para combater oposicionistas e eliminar dissidentes.

Julio María Sanguinetti foi quem liderou a restauração da democracia no Uruguai, ao assumir a chefia de Estado em 1º de março de 1985, depois de 12 anos de uma ditadura muito ligada à da Argentina.

O Paraguai foi o último país do Cone Sul a ter sua democracia de volta, por meio de um processo que começou em fevereiro de 1989 com o golpe que destituiu o general Alfredo Stroessner (1954-1989). EFE ms/fr

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