Por Louis Charbonneau NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - As forças de manutenção da paz da ONU estão cada vez mais enfrentando carência de tropas e verbas, e sendo enviadas a lugares onde a rigor não há paz para manter, disse um alto funcionário da entidade na sexta-feira.

"Há uma constante sobrecarga agora entre mandatos e recursos (...), as expectativas e a nossa capacidade de cumprir", disse Alain Le Roy, chefe das missões de paz da ONU, em discurso ao Conselho de Segurança da ONU. "A atividade de manutenção da paz da ONU está sobreutilizada."

Analistas e diplomatas dizem que as operações devem passar por uma crise, já que a demanda por missões de paz está disparando, enquanto está cada vez mais difícil conseguir dinheiro e soldados.

Para essas fontes, a atual crise financeira global deve deixar os países ainda menos dispostos a contribuírem com as operações de paz.

O orçamento dessas missões, que arca com os custos de mais de 110 mil soldados e policiais em missões da ONU no mundo, é de quase 8 bilhões de dólares.

Diplomatas europeus disseram que a recente crise na República Democrática do Congo ilustra o problema para as missões da ONU.

No ano passado, o Conselho de Segurança aprovou o acréscimo de cerca de 3.000 soldados a uma força de 17 mil, que já é a maior operação da ONU no mundo. Meses depois, porém, os organizadores ainda não haviam conseguido reunir o contingente prometido.

Na semana passada, o Conselho de Segurança autorizou o envio de uma força de 5.000 soldados para o Chade, e cogita uma outra para a Somália.

"Precisamos encontrar medidas de curto prazo para fechar a lacuna entre as tropas e os materiais que conseguimos levantar e os níveis autorizados (de tropas) que são necessários para cumprirmos nossos mandatos", disse Le Roy ao Conselho. "Devemos começar a encontrar novos contribuintes em potencial para a empreitada da manutenção da paz."

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