Delegados da ONU discutem acordo vinculante sobre mudança climática

Juan Palop Nusa Dua (Indonésia), 24 fev (EFE).- A primeira reunião internacional sobre meio ambiente após a cúpula de Copenhague contou hoje com a participação de 130 países e pedidos para se conseguir um acordo global e vinculante na luta contra a mudança climática.

EFE |

A abertura do 11º Fórum Ministerial Global sobre Meio Ambiente, que se prolongará até sexta-feira na ilha de Bali (Indonésia), serviu de plataforma para que importantes personalidades internacionais defendessem um pacto liderado pelas Nações Unidas.

"A União Europeia (UE) quer trabalhar a favor de um instrumento global e legalmente vinculante de combate à mudança climática", afirmou Teresa Ribera, secretária de Estado de Mudança Climática da Espanha, país que exerce a Presidência da UE neste semestre.

Ribera solicitou em seu discurso de abertura do congresso que esse consenso global seja feito sob os auspícios do "multilateralismo eficaz" da ONU.

A secretária insistiu neste ponto em declarações posteriores à Agência Efe, ao dizer que o acordo "deve ser feito no marco da ONU".

Ela acrescentou que a organização conta com os instrumentos necessários para obtê-lo.

Em sua opinião, as Nações Unidas foram vítimas de uma forte campanha de descrédito desde que o Acordo de Copenhague, de caráter voluntário e sem determinações concretas, foi adotado em dezembro sem usar os meios tradicionais da ONU.

"Isso deve ser uma lembrança para aqueles que querem desacreditar as Nações Unidas. Não podemos permiti-los", enfatizou Ribera.

A secretária disse que é necessário analisar "se as estruturas internacionais são eficazes" para combater a mudança climática, mas destacou a importância de uma "estrutura global reforçada com base no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente" (PNUMA, sigla em inglês).

A opinião foi compartilhada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e pelo presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, entre outros participantes da sessão de abertura.

Ban pediu aos países industrializados e às nações emergentes para serem mais ambiciosas e buscarem negociar um "acordo vinculante" útil contra o aquecimento global e suas consequências.

O líder indonésio, por sua vez, se mostrou "preocupado" com a difusão de acordos parciais e não-vinculantes e defendeu um "aumento das competências do PNUMA" e que a instituiçao tenha "maior autoridade".

Embora não se tenha citado explicitamente, essas mensagens eram destinadas a China e aos Estados Unidos, os dois maiores emissores de gases poluentes.

China e EUA são os países mais reticentes em assinar um acordo vinculante. Ambos articularam a portas fechadas com várias nações o Acordo de Copenhague, considerado frágil.

A maioria dos presentes no Fórum Ministerial Global sobre Meio Ambiente qualificou de positivo, embora insuficiente, a cúpula de dezembro.

"Copenhague foi um claro passo adiante, mas houve muita tensão e foi um acordo muito complicado", argumentou Ribera.

O secretário-geral da ONU classificou o acordo como "passo significativo". Ele ressaltou que o Protocolo de Montreal (2007), elaborado para reduzir o buraco da Camada de Ozônio, pode ser tomado como exemplo de um pacto global com "responsabilidades diferenciadas".

Embora a agenda oficial em Bali trate da gestão de resíduos, conservação da biodiversidade, políticas ambientais e promoção da "economia verde", entre outros temas, a luta contra a mudança climática e a próxima conferência que será realizada no México no final de ano predominaram nas discussões privadas.

A ministra do Meio Ambiente da Espanha, Elena Espinosa, e seu colega mexicano, Juan Rafael Elvira Quesada, irão amanhã à reunião.

EFE jpm/sa

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