Delegação norte-coreana homenageia Kim Dae-jung, em nova aproximação

Seul, 21 ago (EFE).- Uma delegação norte-coreana de seis membros prestou hoje homenagem em Seul ao falecido ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung, um novo sinal de aproximação entre as duas Coreias que ocorre após muitos meses de intensos atritos.

EFE |

Hoje, o regime de Pyongyang normalizou a passagem de trabalhadores sul-coreanos e o tráfego ferroviário na fronteira, limitado desde dezembro, em coincidência com a visita da missão norte-coreana, que é presidida por Kim Ki-nam, secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores.

Logo após chegar a Seul, a delegação foi à Assembleia Nacional, onde está o corpo de Kim Dae-jung, diante do qual colocou uma coroa de flores "em memória do ex-presidente", considerado um símbolo da reconciliação entre as duas Coreias.

A viagem da delegação, de dois dias, é considerada uma oportunidade para o diálogo entre os dois países, cujas tensões do último ano começaram a diminuir, com medidas como a libertação por Pyongyang de um trabalhador sul-coreano detido em março.

Os gestos de conciliação aconteceram esta semana por parte da Coreia do Norte, como o anúncio na quinta-feira da reabertura do canal de comunicação telefônico de Panmunjom, fechado também desde dezembro do ano passado.

Esta é a primeira visita de uma delegação da Coreia do Norte ao país vizinho para transmitir condolências por um falecimento desde 2001, quando outra missão viajou um dia por ocasião da morte do fundador da empresa Hyundai, Chung Ju-yung, e retornou a Pyongyang.

A decisão de que os seis norte-coreanos passem a noite em Seul gerou especulações sobre a possibilidade de que mantenham conversas de alto nível com o ministro da Unificação sul-coreano, Hyun In-taek, segundo a agência local "Yonhap".

No entanto, o porta-voz desse ministério afirmou que a delegação norte-coreana irá embora no sábado, e que não estava programado nenhum outro itinerário para o grupo.

O funeral de Kim Dae-jung, presidente da Coreia do Sul entre 1998 e 2003 e Prêmio Nobel da Paz em 2000 por causa de sua política de reconciliação em relação ao Norte, é o segundo com caráter de Estado que acontece na Coreia do Sul, após o organizado para o presidente assassinado Park Chung-hee, em 1979.

O ex-presidente Kim Dae-jung foi uma das figuras mais importantes da democracia sul-coreana e o primeiro político da Coreia do Sul a se reunir com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, durante a histórica cúpula de 2000, em Pyongyang.

O funeral do ex-presidente, previsto para acontecer no domingo, deve contar com a presença de autoridades como a ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright, a primeira política americana de alto nível a viajar à Coreia do Norte.

Após apostar em vida pela aproximação intercoreana com uma política de reconciliação ambiciosa, que nunca antes tinha sido tentada, a morte de Kim Dae-jung também parece ter favorecido uma aproximação entre as duas nações inimigas.

Recentes encontros mantidos entre representantes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos, principal aliado da Coreia do Sul, antecipavam uma certa aproximação entre os dois país vizinhos, divididos desde 1953.

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton foi recebido em Pyongyang no início deste mês pelo líder norte-coreano, de quem, após uma conversa de três horas, conseguiu a libertação de duas jornalistas americanas retidas desde março.

Na quarta-feira, dois diplomatas da Coreia do Norte se encontraram com o governador do Novo México, Bill Richardson, e garantiram que seu país está disposto a um diálogo com os EUA, mas à margem da mesa de negociações multilaterais.

Ficam para trás as ameaças feitas por Pyongyang no último ano, em resposta à linha dura adotada em relação ao regime norte-coreano desde que o conservador Lee Myung-bak assumiu a Presidência da Coreia do Sul, em fevereiro de 2008. EFE co-clb/an

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