Delegação internacional chega ao Haiti para buscar solução para crise

Porto Príncipe, 24 abr (EFE) - Uma delegação internacional de alto nível, liderada pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, chegou hoje ao Haiti para uma visita oficial de dois dias, enquanto o país caribenho passa por uma crise política e alimentícia.

EFE |

O propósito da reunião é "discutir com as autoridades do Haiti" para encontrar "soluções aos problemas" deste país, declarou aos jornalistas um membro da representação da OEA no Haiti.

Insulza não fez declaração alguma à imprensa quando chegou a Porto Príncipe, uma das cidades onde foram registrados violentos protestos contra inflação no início de abril, manifestações essas que levaram o Parlamento haitiano a destituir o primeiro-ministro, Jacques-Édouard Alexis.

A delegação é integrada por representantes do Brasil, Estados Unidos, Canadá, Argentina, México, União Européia e Nações Unidas, assim como pelo secretário adjunto da OEA, Albert Ramdin.

Segundo fontes locais da OEA, os visitantes querem expressar o apoio da comunidade internacional aos dirigentes do Haiti perante a crise alimentícia que provocou os distúrbios que causaram seis mortes e deixaram dezenas de feridos.

As fontes não indicaram se o tema da formação de um novo Governo fará parte das conversas com o presidente haitiano, René Préval, e com setores políticos e econômicos do país.

Esta delegação chega ao Haiti enquanto Préval realiza um processo de consultas para nomear um novo primeiro-ministro que substituirá Jacques-Édouard Alexis, destituído pelo Congresso no dia 12 de abril.

A capital do Haiti está cheia de rumores sobre potenciais candidatos ao cargo, mas os setores políticos que participam das consultas com o governante nacional dizem que nenhum nome foi mencionado.

O presidente do Senado, Kelly Bastien, e o da Câmara dos Deputados, Pierre Eric Jean-Jacques, afirmaram que nestes dias somente será discutido o perfil do novo Governo e como garantir sua coesão.

No entanto, o chefe da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), Hedi Annabi, e vários líderes políticos locais expressaram a "necessidade" de nomear com rapidez um novo primeiro-ministro.

"Há uma urgência" de nomear um primeiro-ministro, declarou aos jornalistas o ex-senador Edgar Leblanc, coordenador da Organização do Povo em Luta (OPL), partido membro da coalizão governamental.

Por outra parte, a situação social que provocou os recentes distúrbios é cada vez mais precária, apesar do acordo da Presidência com os importadores de arroz para reduzir o preço deste produto no mercado.

Só o preço do arroz caiu nos últimos dias, enquanto produtos como açúcar, azeite, leite e frango mantêm o mesmo valor de antes dos protestos.

Além disso, o Governo não ofereceu detalhes em torno de um programa de seis meses anunciado pelas Nações Unidas para reduzir o problema dos alimentos. EFE gp/bm/db

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