Tegucigalpa, 22 jul (EFE).- A comissão do Governo de Roberto Micheletti adiou a viagem que deveria fazer hoje à Costa Rica para continuar o diálogo sobre a crise política em Honduras após a deposição do presidente Manuel Zelaya.

O chanceler e chefe da delegação de Micheletti, Carlos López, e um dos membros, Vilma Morales, confirmaram hoje à imprensa a suspensão da viagem, mas destacaram que não é o abandono definitivo do diálogo.

López disse que a comissão decidiu não viajar perante a emissão, na segunda-feira, de uma declaração da Corte Suprema de Justiça (CSJ), que reiterou que Zelaya foi afastado por um mandato judicial e "não pode voltar a assumir a Presidência da República".

"Isso é uma barreira", disse López, que informou que, na terça-feira, enviou ao presidente da Costa Rica, Oscar Arias, mediador no diálogo com representantes de Zelaya, um "documento de trabalho" que "estava subordinado a que houvesse consentimento por parte dos três poderes do Estado" hondurenho nas decisões.

Morales, ex-presidente da CSJ, reafirmou que o retorno de Zelaya "é o ponto" conflituoso do diálogo e que outros aspectos de uma proposta que Arias apresentou no fim de semana depende de vários organismos do Estado.

A comissão de Micheletti rejeitou a proposta de Arias, ao insistir em que Zelaya não pode voltar à Presidência, e pediu mais tempo para fazer consultas sobre os outros pontos.

No entanto, a ex-magistrada afirmou que "a mediação continua" e que a delegação de Micheletti "está disposta" a viajar à Costa Rica para conhecer uma nova colocação que, segundo versões de imprensa, Arias deve apresentar hoje.

O Governo de Micheletti, a CSJ e o Ministério Público afirmam que Zelaya não sofreu um golpe de Estado, mas foi derrubado em 28 de junho por um mandato judicial por ter violado a Constituição, ao tentar realizar naquele dia uma consulta para promover uma Assembleia Constituinte, embora esta tenha sido declarada ilegal.

O Parlamento designou Micheletti em 28 de junho para substituir Zelaya (ambos são do governante Partido Liberal), mas seu Governo não é reconhecido pela comunidade internacional. EFE lam/an

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