Delegação da AIEA viaja à Síria para investigar suposta instalação nuclear

Damasco, 22 jun (EFE).- Uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) viajou hoje para a Síria, com o objetivo de constatar se a instalação de Al Kibar, bombardeada por Israel em setembro do ano passado, era um complexo atômico.

EFE |

A chegada do grupo, liderado pelo subdiretor da AIEA, Olli Heinonen, foi tratada com segredo pelas autoridades sírias e pela mídia estatal, que negaram a natureza nuclear da instalação.

Heinonen e seu grupo permanecerão até terça-feira na Síria, depois que as autoridades deste país aceitaram a visita dos inspetores, com a condição de que esta se limite ao prédio de Al Kibar, no deserto oriental sírio, a 90 quilômetros da fronteira com o Iraque.

A Síria sempre negou o desenvolvimento de um reator nuclear, tal como os Estados Unidos asseguram. Em uma recente visita à China, o presidente sírio, Bashar al-Assad, chegou a afirmar que as acusações americanas são "100% inventadas".

Washington acusou o regime de Assad de estar construindo em Al Kibar um reator nuclear com a ajuda da Coréia do Norte.

Em maio, o embaixador sírio na ONU disse que em Al Kibar só havia algumas instalações militares em desuso, posição que a Síria sempre defendeu.

O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, declarou esta semana que não acredita que a Síria tenha capacidade e recursos suficientes para desenvolver um programa nuclear, mas exigiu que o regime de Damasco colabore com o organismo internacional.

Em virtude do acordo de não-proliferação de armas de destruição em massa, a Síria está obrigada a informar a AIEA sobre qualquer atividade nuclear em seu território.

O analista político sírio Ibrahim Darraji acha que Damasco permitiu a entrada dos inspetores da AIEA para evitar um confronto com a agência da ONU.

"As autoridades sírias facilitarão o trabalho dos inspetores para demonstrar a responsabilidade de Israel e dos EUA no ataque" perpetrado pelo Exército israelense em 6 de setembro do ano passado, destacou.

As instalações de Al Kibar foram destruídas no bombardeio, e, segundo imagens obtidas por satélite, o lugar foi completamente limpo após o ataque. Porém, os inspetores esperam poder encontrar vestígos de materiais radioativos durante a inspeção.

O ataque israelense contra território sírio reanimou o debate sobre os supostos esforços de Damasco para lançar um programa nuclear.

A discussão voltou a emergir em maio deste ano, quando os EUA publicaram algumas fotos do lugar bombardeado, as quais, segundo os especialistas americanos, provavam a natureza nuclear das instalações.

No entanto, a interpretação que a Síria fez das imagens tiradas pelo serviço secreto americano é muito diferente.

Um analista sírio, que falou sob a condição de não ser identificado, disse à Efe que "essas fotos são uma lembrança engraçada da saia justa pelo qual o antigo secretário de Estado americano Collin Powell passou quando mentiu ao mundo sobre as fotografias sobre fábricas móveis de armas químicas que nunca existiram". EFE gb-jfu/bm/sc

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