Deixa o cargo o ministro de Uribe com mais chances de sucedê-lo, na Colômbia

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, renunciou nesta segunda-feira depois de três anos no cargo, durante os quais coordenou alguns dos mais duros golpes infligidos à guerrilha, em 45 anos. Sai de cena com um nível de popularidade que lhe permitiria aspirar a suceder a Alvaro Uribe em 2010.

AFP |

Santos, de 57 anos, foi artífice da operação 'Jaque' mediante a qual o Exército arrebatou em julho passado, das Farc, 15 de seus mais importantes reféns, entre eles a ex-candidata presidencial colombiano-francesa Ingrid Betancourt e três americanos.

Ele também esteve por trás da autorização de ataque a um acampamento no norte do Equador durante o qual morreu Raúl Reyes, número dois das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em março de 2008.

Esta incursão foi motivo de indignação por parte dos presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, a ponto de este último afirmar que uma eventual presidência de Santos representaria grande ameaça para a paz continental.

Reyes foi o primeiro membro do secretariado das Farc a ser abatido em mais de quatro décadas. Menos de uma semana depois foi anunciada a morte de Iván Ríos, outro integrante dessa cúpula de sete líderes guerrilheiros.

Santos antecipou-se, além disso, às Farc, ao anunciar a morte - por doença - de Manuel Marulanda ("Tirofijo"), confirmada depois pelos rebeldes, em maio.

Em entrevista à imprensa Santos, de 57 anos, não descartou apresentar-se como candidato à presidência nas eleições de 2010, mas desde que o presidente Alvaro Uribe decida não postular a um terceiro mandato consecutivo.

"Considero necessário dar continuidade à minha vida pública em outros cenários", afirmou em sua carta de demissão.

Santos havia se afastado do partido Liberal para formar o partido da U (Social da Unidade Nacional), que se converteu no principal da coalizão governista nas eleições de 2006.

A administração como ministro deste economista com pós-graduação em Harvard e na Escola de Economia de Londres, admirador do ex-premier britânico Tony Blair, alcançou importantes chefões do narcotráfico e bandos de paramilitares, alguns pedidos em extradição pelos Estados Unidos.

Mas também destituiu vários oficiais, entre eles quatro generais, pelo escândalo que os envolveu com as execuções de centenas de jovens pobres apresentados depois, erroneamente, como paramilitares ou guerrilheiros mortos em combate.

Santos deixa o ministério com uma popularidade que não possuía em sua carreira política iniciada em 1991, quando abandonou o jornalismo para aceitar a recém-criada carteira de Comércio Exterior.

Uma enquete Gallup, divulgada há duas semanas, o aponta como o dirigente com maior possibilidade de suceder ao presidente Uribe.

Segundo o Gallup, Santos ganharia todos os demais candidatos exceto o matemático e dirigente independente Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín (noroeste), com quem apresenta um empate técnico.

Com esses resultados favoráveis, parece colher o fruto de uma longa espera. Herdeiro de uma família influente, proprietária da casa editorial El Tiempo, já havia sido, além disso, ministro da Fazenda, congressista e aspirante à candidatura presidencial, em 1994.

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