Antonio Broto. Pequim, 9 mar (EFE).- O degelo do Oceano Ártico pode beneficiar a China ao criar uma rota de navegação mais rápida entre a Europa e América, possibilidade que já está nos planos de Pequim.

A hipótese foi levantada pela pesquisadora Linda Jakobson, do Stockholm International Peace Research Institute. Ela trabalha com a hipótese da inevitabilidade do efeito estufa e apresentou os resultados dos seus estudos nesta segunda-feira em Pequim.

"Há uma evidente conscientização de políticos e pesquisadores chineses sobre as considerações estratégicas, políticas e econômicas do degelo do Ártico", ressaltou Jakobson.

Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Polar da China, o degelo poderia encurtar, por exemplo, o trajeto entre Xangai e a cidade alemã de Hamburgo - uma rota de transporte marítimo frequente para os cargueiros chineses - em seis mil quilômetros.

A pesquisadora estima que o Ártico pode vir a ser uma região muito rica em recursos naturais como petróleo, gás e minerais, muitos deles em zonas que não estão em disputa, aumentando o interesse da China na região.

"A China sabe que seu interesse pode causar alarde. Por isso, todas as suas declarações oficiais sobre o tema enfatizam que qualquer disputa deverá ser resolvida pacificamente e mediante o diálogo", destacou a pesquisadora.

Por outro lado, em toda declaração oficial chinesa sobre o futuro desenvolvimento do Ártico como rota de transporte ou fonte de recursos, Pequim defende que se leve em conta o interesse de todos os países, não só aqueles que têm litoral neste oceano - Canadá, Estados Unidos, Rússia, Noruega e a Dinamarca, com a ilha da Groenlândia.

Jakobson esclareceu que o degelo ártico é, por enquanto, apenas "uma possibilidade", dado que a comunidade internacional empreende esforços para deter o aquecimento global.

A pesquisadora acredita que o Ártico poderia se tornar navegável perto do verão de 2060 no hemisfério Norte. No entanto, outras previsões, que Jakobson não apoia, já contemplam esta possibilidade para meados desta década.

A pesquisadora citou como provas do interesse crescente da China no Ártico a expedição que o país conduzirá no Pólo Norte neste verão do hemisfério Norte (inverno no hemisfério Sul).

Japão e Coréia do Sul também estão entre os países do nordeste asiático interessados em encurtar sua rota marítima com o Ocidente e fazem coro com a China.

Jakobson não quis falar de possíveis conflitos, mas sugeriu que podem haver "tensões" no futuro. Ela destacou, por exemplo, que "a China está preocupada com as altas tarifas que a Rússia pode impor pelo uso da rota".

O degelo também poderia criar uma nova relação de colaboração entre a China e os países nórdicos. Jakobson, que vive em Pequim há duas décadas, vê possibilidades de cooperação conjunta entre China, Noruega, Finlândia e Suécia para a extração de gás e petróleo no Oceano Ártico. EFE abc/pb/bba

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