Déficit em conta corrente vai se ajustar, diz Meirelles

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse neste sábado que o déficit em conta corrente do Brasil não deve continuar subindo e vai se ajustar. O déficit em conta corrente tenderá a se ajustar, não deve continuar subindo dessa maneira.

BBC Brasil |

E o Brasil está preparado", disse Meirelles, em Washington, onde participou da reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 (grupo que reúne países ricos e em desenvolvimento).

Segundo Meirelles, esse ajuste será resultado de vários fatores, como o câmbio flutuante, o aumento do crescimento em outros países e do investimento estrangeiro direto.

Dados divulgados pelo Banco Central na última quinta-feira apontam que o Brasil registrou déficit nas contas externas de US$ 12,145 bilhões no primeiro trimestre deste ano, no pior resultado desde 1947.

Ainda segundo o presidente do BC, o Brasil já mostrou, durante a crise econômica mundial, que está bem preparado para enfrentar crises cambiais.

"O Brasil mostrou em 2008 que está bem preparado para enfrentar crises cambiais", afirmou o presidente do Banco Central, ao lembrar que o país saiu da crise com US$ 246 bilhões (cerca de R$ 433 bilhões) em reservas, volume superior aos US$ 205 bilhões (R$ 361 bilhões) de antes da crise.

Segundo Meirelles, os representantes do G20 chegaram a um consenso sobre a necessidade de se prosseguir com a reforma do sistema financeiro internacional, no momento em que os países se recuperam da crise econômica.

"O fato de que a crise começa a ser superada, com diferentes velocidades, não deve servir de justificativa para diminuição da ênfase (nas reformas)", disse.

Grécia
Meirelles disse que o caso da Grécia, que na sexta-feira pediu ajuda ao FMI e à União Europeia para enfrentar a crise em sua economia, é um "alerta" para outros países.

"É um sinal de que a questão fiscal está à frente da economia mundial", disse Meirelles. "É um sinal de alerta, de que a questão fiscal tem de ser enfrentada."
O governo grego decidiu recorrer à ajuda depois do anúncio de que o déficit público do país no ano passado foi de 13,6% do PIB (Produto Interno Bruto), maior do que o estimado anteriormente e quase o dobro do ano anterior.

Apesar de não estar na programação oficial do encontro do G20 e da reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial (que termina neste domingo), o caso da Grécia foi um dos assuntos em discussão em Washington.

O secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, pediu durante a reunião que o FMI, a União Europeia e o governo grego ajam rapidamente para solucionar a crise na economia grega.

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