Deficiente vítima de abuso sexual depõe piscando os olhos

Uma britânica com paralisia cerebral ajudou a condenar por abuso sexual o funcionário de um lar para deficientes, ao responder apenas com piscadas de olho às perguntas dos advogados.

BBC Brasil |

James Watts, de 57 anos, foi sentenciado a 12 anos e meio de prisão, após um julgamento de três semanas, no qual outras vítimas também com deficiências graves deram seus depoimentos com a ajuda de sensores colocados em suas cadeiras de rodas e ligados a um computador.

O juiz da corte da cidade de Exeter, Graham Cottle, afirmou que este foi o caso mais difícil que enfrentou por causa do grau de invalidez das vítimas.

Ao proclamar a sentença, Cottle disse a Watts que a população vai ver seus crimes com "grande revolta". "O senhor desceu a um nível de depravação que ultrapassa os limites da compreensão", declarou.

Inapropriado

Watts trabalhou como motorista no asilo entre 2005 e 2008.

No local, vivem homens e mulheres com idades entre 20 e 50 anos que sofrem de casos graves de deficiência, precisando de ajuda para se locomover e realizar outras atividades comuns do dia-a-dia.

Segundo o promotor do caso, Paul Dunkels, Watts abusou de quatro mulheres que não conseguiam oferecer resistência por causa de sua condição física.

Os crimes foram descobertos depois que uma voluntária do local viu ele tocando uma das vítimas de maneira inapropriada durante uma refeição.

O promotor afirmou que a mulher que respondeu às perguntas com piscadas de olho conseguiu confirmar que Watts realmente tocou várias partes de seu corpo.

Outra vítima prestou depoimento à polícia na época das investigações, mas agora já perdeu a capacidade de se comunicar. Mesmo assim, vídeos de seu testemunho foram exibidos aos jurados.

Em um comunicado conjunto, as famílias de duas vítimas se disseram satisfeitas com o veredicto. "O resultado deste caso reconhece que aqueles indivíduos mais vulneráveis têm uma voz e merecem o direito à justiça como qualquer outra pessoa", afirmaram.

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