Deficiências em ensino no Brasil levam empresas a investir em formação, diz jornal

As deficiências no sistema educacional brasileiro estão levando empresas do país a investir na formação de sua futura força de trabalho, destaca uma matéria desta terça-feira do jornal americano Washington Post. O jornal cita o exemplo da Vale, que, com mais de 150 mil empregados em todo o mundo é uma das maiores corporações em setores como mineração, indústria aeroespacial e construção que estão levando o Brasil à ascensão na economia mundial.

BBC Brasil |

Segundo a reportagem, "os planos ambiciosos de crescimento da empresa batem de frente em um problema que prejudica o desenvolvimento na América Latina: um ensino secundário que não produz o número suficiente de engenheiros e outros com habilidades técnicas, mesmo com a redução da demanda causada pela crise econômica global".

O Washington Post compara a América Latina com outros países emergentes e lembra que apesar de ser um dos países mais populosos do mundo, o Brasil não tem nenhuma universidade entre as 100 melhores do mundo.

"Entre os jovens que completam uma faculdade, apenas 5% se formam engenheiros, muito menos do que em países como a China ou a Coréia do Sul, segundo empresários brasileiros."
O jornal diz que, apesar dos bons índices de crescimento econômico registrados em vários países latino-americanos em anos recentes, estudos mostram que os trabalhadores da região têm menos educação do que os da Ásia e do Leste Europeu, e que a porcentagem de alunos nas escolas secundárias é bem menor do que em países desenvolvidos.

O jornal ainda comenta que, mesmo nos níveis básicos de ensino, os países têm se concentrado mais em construir novas escolas do que em melhorar a qualidade do ensino e, por conta disso, empresas passaram a criar centros de estudo e cursos para formar sua mão-de-obra futura.

"Educação fraca leva a uma falta de trabalhadores qualificados. Uma pesquisa com mais de 1.700 empresas da Confederação da Indústria do Brasil no ano passado concluiu que mais da metade não conseguia encontrar um número suficiente de trabalhadores treinados. As maiores empresas do Brasil, assim como em outros países da América Latina, tomaram para si o papel de mudar essa dinâmica."
Além da Vale, que oferece cursos técnicos, entre outras coisas, para mecânicos ferroviários, a reportagem cita o exemplo da Embraer, que treina engenheiros, e da Amanco, empresa de materiais de construção que treina operários da construção civil no uso de suas peças.

Segundo o jornal, esse tipo de programa beneficia tanto as empresas, que precisam da mão-de-obra treinada e qualificada, como os estudantes, que recebem a educação e a possibilidade de um bom emprego.

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