Defesa pede libertação do torturador-chefe do Khmer Vermelho

Defesa pede libertação do torturador-chefe do Khmer Vermelho Jordi Calvet. Phnom Penh, 1º abr (EFE).- A equipe de advogados que defende o antigo torturador-chefe do Khmer Vermelho e assassino confesso, Kaing Guev Eav, conhecido como Duch, solicitou hoje a liberdade condicional para seu cliente ao tribunal internacional do Camboja que o julga por genocídio.

EFE |

A defesa fez este pedido aos juízes um dia depois de Duch ter pedido novamente perdão e aceitasse sua responsabilidade pelos crimes cometidos pelo Khmer Vermelho antes e depois de abril de 1975, quando o grupo tomou a capital do Camboja, Phnom Penh, onde criou o centro de torturas de Tuol Sleng.

O francês François Roux, chefe da equipe de advogados que defende Duch, diretor de Tuol Sleng e de outras duas prisões criadas pela guerrilha do Khmer Vermelho, disse durante a audiência que o acusado deveria ser posto em liberdade imediatamente porque seus direitos teriam sido violados.

O advogado argumentou que, embora o julgamento de Duch deva continuar, o acusado tem que ser levado da prisão para um "local seguro", já que a lei do Camboja permite um período de prisão preventiva de no máximo três anos.

Duch foi preso em maio de 1999, quase um ano depois da morte do líder máximo do Khmer Vermelho, Pol Pot.

Roux sustentou que seu cliente está preso nas mesmas instalações de outros quatro membros do alto escalão do Khmer Vermelho, entre eles o "número dois" da organização, Nuon Chea, de quem Duch recebia ordens diretas quando dirigia Tuol Sleng.

Em declarações feitas antes do julgamento, Duch disse que Nuon Chea era o arquiteto da política de extermínio e quem dava a ordem de receber em seu escritório "as fotografias dos cadáveres, para provar que estavam mortos".

A promotora Chea Leang se opôs ao pedido de libertação feito pela defesa, lembrando que já tinha sido indeferido durante a fase de instrução e que os argumentos utilizados então continuam válidos.

A detenção de Duch ocorreu pouco depois de este ser localizado em uma tranquila aldeia da província de Battambang pelo fotógrafo e jornalista irlandês Nic Dunlop, um das testemunhas que a Promotoria chamará ao palanque nos próximos dias.

"Ele (Duch) está igual há dez anos. À época, ele também reconheceu sua responsabilidade" pelo que fez, disse Dunlop.

Após o perdão pedido ontem por Duch, a dúvida entre observadores e analistas era até que ponto suas palavras foram sinceras ou se elas foram apenas parte de uma estratégia da defesa.

"Quando o vi de pé pedindo perdão, senti raiva, mas depois, ao vê-lo sentado no meio do tribunal, me deu certa tristeza", declarou Dunlop, que admite se sentir incômodo com seu papel.

"Antes eu tivesse preferido não me ver metido com tudo isso. Não voltei a falar com ele, mas sei que está irritado comigo", acrescentou o irlandês.

Entre 14 mil e 16 mil pessoas, entre elas ministros do regime, diplomatas, estrangeiros, e cerca de duas mil crianças passaram por Tuol Sleng para ser torturadas e depois assassinadas no campo de extermínio de Choeung Ek, a quase 15 quilômetros de Phnom Penh.

Segundo as investigações realizadas pelo Centro de Documentação do Genocídio do Camboja, outras 20 mil pessoas passaram pelas duas primeiras prisões que Duch montou durante a guerra, M-13 e M-99, situadas em Kompomg Speu, a 100 quilômetros de Phnom Penh.

Após a audiência de hoje, monopolizada pelo debate entre Promotoria e defesa quanto a questões de procedimento, o julgamento será retomado na segunda-feira com perguntas a Duch sobre seu papel à frente do presídio M-13. EFE jcp/bba

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