Defesa dos direitos humanos rende Prêmio Príncipe de Astúrias a Betancourt

Oviedo (Espanha), 10 set (EFE).- A força demonstrada pela franco-colombiana Ingrid Betancourt durante seus mais de seis anos de cativeiro em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e sua firme defesa dos direitos humanos lhe renderam hoje o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia de 2008.

EFE |

O júri destacou tanto a "força" quanto a "dignidade" e "coragem" com as quais a ex-candidata à Presidência da Colômbia, de 46 anos, enfrentou seis anos de "injusto cativeiro", concluído em julho após uma grande operação do Exército colombiano.

O prêmio também distinguiu Betancourt por ela "personificar todos aqueles no mundo que estão privados de liberdade, devido à defesa dos direitos humanos e da luta contra a violência terrorista, a corrupção e o narcotráfico".

Com este prêmio concedido a Betancourt, o júri quis se solidarizar com "todas aquelas pessoas que padecem as mesmas dramáticas e inadmissíveis condições que ela sofreu".

A decisão também ressalta o trabalho daqueles Governos que, como o da Colômbia, "trabalham pela consolidação do sistema democrático e das liberdades cívicas".

Betancourt superou nas votações finais do júri as candidaturas do Colégio da Europa, com sede em Bruges (Bélgica), e do jesuíta espanhol Enrique Figaredo, que trabalha no Camboja desde 1991 e que fez de sua vida uma cruzada contra as minas antipessoais.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, parabenizou hoje Betancourt pela conquista do Prêmio da Concórdia e destacou a "força e dignidade com as quais enfrentou seis anos de injusto cativeiro".

Zapatero enviou um telegrama a Betancourt no qual disse sentir "grande satisfação" ao transmitir seus "mais sinceros parabéns pela concessão do prêmio".

Durante sua trajetória pública, Betancourt dirigiu seus esforços à promoção da democracia e da justiça social, assim como à luta contra a corrupção, o narcotráfico e a violência.

Procedente de uma família de tradição política na Colômbia, sua carreira começou em 1994, quando se apresentou nas eleições legislativas como candidata do então governista Partido Liberal Colombiano.

Betancourt foi eleita para a Casa dos Representantes (câmara baixa) por Bogotá e, durante seu mandato e apesar de pertencer ao partido do Governo, empreendeu várias ações de denúncia de corrupção e se destacou por sua ferrenha oposição ao presidente Ernesto Samper.

Em 1998, Betancourt fundou seu próprio partido, o Oxigênio Verde, de cunho ecológico, pelo qual foi eleita para uma cadeira no Senado, cargo que renunciou para concorrer à Presidência da Colômbia no pleito de 2002.

Foi no dia 23 de fevereiro daquele ano, em plena campanha eleitoral, que Betancourt foi seqüestrada pelas Farc junto de sua diretora de campanha, Clara Rojas.

A candidatura de Betancourt foi apoiada pelo ex-presidente colombiano Belisario Betancur, pela ex-presidente irlandesa Mary Robinson e pelo cineasta Woody Allen.

Betancourt também recebeu o apoio dos ex-presidentes da República Tcheca Vaclav Havel, de Portugal Mário Soares, da Comissão Européia (CE, órgão executivo da União Européia) Jacques Delors, da ex-ministra francesa Simone Veil e do ex-secretário-geral da ONU Javier Pérez de Cuéllar, todos eles agraciados com o Prêmio Príncipe de Astúrias.

O Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia, de grande prestígio internacional, oferece 50 mil euros (US$ 70 mil).

O prêmio é concedido a pessoas ou instituições cujo trabalho tenha contribuído de forma exemplar e relevante ao entendimento e à convivência em paz, para a luta contra a injustiça, a pobreza, a doença, a ignorância e pela defesa da liberdade.

Também são premiados aqueles que tenham aberto novos horizontes ao conhecimento ou tenham se destacado na conservação e proteção do patrimônio da humanidade.

Nesta edição, foram apresentadas 51 candidaturas de 21 países, entre elas o Movimento Internacional da Luta contra a Pena de Morte, o Museu Memorial de Gandhi e o juiz da Corte Internacional de Justiça Thomas Buergenthal.

Na edição de 2007, o prêmio foi para o Museu da História do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem).

Os Prêmios Príncipe de Astúrias, em suas oito categorias, são tradicionalmente entregues pelo príncipe Felipe de Borbón, herdeiro da Coroa espanhola, no final de outubro no Teatro Campoamor, em Oviedo. EFE lm/wr/fal

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