Defesa do livre-comércio marca início de reunião do Apec

Lima, 19 nov (EFE).- Os chanceleres e ministros de Comércio do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) iniciaram hoje uma reunião prévia à cúpula de líderes, dispostos a defender a abertura de mercados e evitar o protecionismo como fórmula para resistir à crise financeira mundial.

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A reunião, que acontece a portas fechadas no Museu da Nação de Lima, tenta estabelecer medidas em termos de integração econômica, segurança humana e alimentícia para abordar a crise.

Nessas reuniões prévias à cúpula de líderes dos 21 membros do Apec, que acontece nos próximos dias 22 e 23, ficou claro que as principais preocupações da Ásia-Pacífico se centram no perigo de recessão nos Estados Unidos e, como conseqüência, na grave situação enfrentada pela economia global.

Assim ficou constatado em uma pesquisa feita junto aos líderes, elaborada pelo Conselho de Cooperação Econômica do Pacífico (PECC, sigla em inglês), na qual 78% dos entrevistados determinou que a economia americana será "muito mais frágil" nos próximos meses, enquanto 56% alertaram que há "um alto risco" de recessão nos EUA.

O PECC defendeu, além disso, que a cúpula de Lima se aprofunde na busca de maiores investimentos e fluxos comerciais para conter a crise e evitar medidas protecionistas.

O presidente do organismo que assessora o Apec, Charles E.

Morrison, considerou fundamental "chegar ao consenso" necessário para o livre-comércio em tempos de crise, ao contrário do ocorrido com a depressão dos anos 30 do século passado, quando esse sistema acabou se destruindo.

A área da Ásia-Pacífico "deve dar um exemplo de abertura ao comércio e aos investimentos, pois seria desastroso que as economias da Apec fechassem suas fronteiras", disse o coordenador do relatório anual do PECC, Yuen Woo.

O especialista previu que os governantes reunidos em Lima "vão assegurar que a zona Apec não cai no protecionismo e optar pela abertura de mercados".

Ambos especialistas concordaram, no entanto, que o projeto de criar uma zona de livre-comércio é apenas "uma aspiração" por enquanto, já que "não é factível em um futuro próximo".

Por outro lado, outro estudo apresentado hoje em Lima pelo PECC determinou que Chile, México, Taiwan, Indonésia e Cingapura são os únicos países do Apec, que perderam terreno na integração dentro da região Ásia Pacífico.

As chamadas Metas de Bogor, estabelecidas na Indonésia em 1994, apontavam que em 2010 se alcançaria uma área de livre-comércio entre as economias avançadas do Apec e em 2020 nas nações em desenvolvimento, um projeto ainda distante por enquanto.

Enquanto prossegue hoje a reunião ministerial do Apec, corre em paralelo o Conselho Consultivo Empresarial do fórum no porto do Callao, nos arredores de Lima.

O primeiro líder da Apec a chegar a Lima foi hoje o presidente da China, Hu Jintao, que fará uma visita oficial antes de participar da cúpula, onde há possibilidades do fechamento de um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com o Peru.

Cerca de oito mil pessoas, entre delegados, autoridades, empresários e jornalistas, participam da denominada semana de líderes da Apec, que culminará no domingo com a cúpula oficial.

A agenda da cúpula está centrada em temas econômicos globais, no apoio à reativação da Rodada de Doha para a liberalização mundial do comércio, da responsabilidade social corporativa, da segurança humana e da reforma da Apec, entre outros aspectos.

Porém, a crise econômica mundial vai ser parte fundamental das conversas, apesar de não figurar na agenda oficial, segundo várias delegações.

Criada em 1989, a Apec é integrada por Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Hong Kong, Indonésia, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Rússia, Cingapura, Tailândia, Taiwan e Vietnã.

Juntas, essas economias representam 48% do comércio total e geram cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. EFE erm/rr

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