Lima, 16 mar (EFE).- Os advogados de defesa do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, julgado por violações aos direitos humanos, obtiveram hoje do tribunal quatro sessões adicionais para suas alegações, até 25 de março.

No entanto, o advogado César Nakazaki, que lidera a equipe da defesa, disse à Agência Efe que "é muito provável" que volte a pedir várias sessões para concluir suas alegações, pelo que considerou "prematuro" dizer que Fujimori deporia em apenas duas semanas.

O presidente da Sala Penal Especial da Suprema Corte, César San Martín, concedeu só quatro das sete sessões pedidas pelos advogados para "garantir que os âmbitos da defesa se expressem com amplitude, serenidade e clareza".

Nakazaki lembrou que a defesa tem direito a pedir quantas sessões suplementares quiser sem prazo limite, mas há critérios de restrição: que os argumentos não sejam repetidos e que sejam importantes.

Hoje, o advogado analisou alguns dos documentos apresentados pela Promotoria ou pela parte civil -um discurso à nação de Fujimori, entrevistas e artigos jornalísticos assinados por ele- como provas de que o ex-presidente desenhou uma política de guerra suja contra o terrorismo.

Ele respondeu que esses documentos não bastam para provar que houve essa guerra informal, e disse que, pelo contrário, demonstram que a luta contra o terrorismo foi limpa e transparente, segundo sua linha de argumentação.

Da mesma forma, Nakazaki ressaltou que não há provas de que Fujimori conhecesse o Grupo de Análise (integrado por ex-militares e ex-oficiais de inteligência), que mais tarde deu origem ao Grupo Colina, autor dos massacres mais emblemáticos do regime.

Fujimori enfrenta pena de 30 anos de prisão pela responsabilidade na morte de 25 pessoas nos massacres de Barrios Altos (1991) e La Cantuta (1992), além dos sequestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, após o "autogolpe" de Estado de 1992. EFE fjo/db

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.