Deem chance ao diálogo, dizem EUA a rivais de Honduras

Por John McPhaul SAN JOSÉ (Reuters) - Os Estados Unidos e o mediador costa-riquenho da crise política de Honduras pediram nesta terça-feira que os lados rivais deem chance às conversações, depois que o presidente destituído ameaçou abandonar o diálogo se não for reconduzido ao cargo rapidamente.

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Eles fizeram a declaração em resposta à advertência feita na segunda-feira pelo presidente hondurenho deposto, Manuel Zelaya, derrubado por um golpe de estado em 28 de junho, de que iria abandonar as conversações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, se os governantes interinos de Honduras, não o reconduzirem ao cargo neste fim de semana.

"Todas as partes nas conversações deveriam dar algum tempo ao processo. Não fixem nenhum prazo limite artificial", disse o porta-voz do Departamento de Estado Ian Kelly a repórteres em Washington.

Arias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1987 por seu trabalho para pôr fim aos conflitos na América Central, marcou para sábado uma nova rodada de negociações entre representantes de Zelaya e enviados do presidente interino, Roberto Micheletti.

Mas com os dois lados se recusando a fazer concessões, Arias continua lutando para manter viva a esperança de uma rápida solução negociada para a pior crise política da América Central desde o fim da Guerra Fria. Dois dias de conversações na Costa Rica na semana passada entre as delegações hondurenhas rivais não alcançaram nenhum progresso real.

Honduras, país pobre, exportador de café, bananas e têxteis, tem uma longa tradição de golpes e só restabeleceu o sistema democrático na década de 1980, depois de 20 anos de predomínio de regime militar no país.

Fortalecido pela condenação mundial ao golpe, Zelaya insiste que seu retorno ao poder seja o único tópico de qualquer conversação.

Mas o governo interino de Micheletti, instalado pelo Congresso de Honduras depois do golpe, é inflexível na exigência de que Zelaya não pode retornar ao cargo sob nenhuma circunstância, porque ele estava tentando estender ilegalmente seu mandato, procurando eliminar o limite de apenas uma eleição presidencial. Sua remoção foi legal, diz Micheletti.

O debate sobre como resolver a crise hondurenha também evolui para uma disputa de influência na América Latina entre o presidente esquerdista da Venezuela, Hugo Chávez, um crítico feroz dos Estados Unidos, e o presidente norte-americano, Barack Obama, que busca melhorar as abaladas relações de seu país com a região.

"Naturalmente, compreendo o desejo do presidente Zelaya de retornar e ser reconduzido ao cargo o mais breve possível", disse Arias a repórteres, em San José.

"Mas a experiência me diz que é preciso ter paciência. Não é fácil obter resultados. É por meio do diálogo que o presidente Zelaya deve ser reconduzido ao poder", completou ele quando lhe perguntaram sobre o ultimato de Zelaya.

Nenhum governo estrangeiro reconheceu Micheletti como presidente. Os EUA, a Organização dos Estados Americanos e a Assembleia Geral da ONU pediram a recondução de Zelaya ao cargo.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed em Washington)

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