Declarações do Vaticano são insuficientes para judeus americanos

A organização judaica americana Liga Antidifamatória (ADL, sigla em inglês) considerou nesta sexta-feira insuficientes as explicações do Vaticano sobre a não modificação de uma oração em latim, que pede a conversão dos judeus.

AFP |

"A declaração não é suficiente para acalmar as preocupações sobre como será compreendida a mensagem dessa oração pelas pessoas", disse Abraham Foxman, diretor da influente ADL, em comunicado.

De acordo com Foxman, "a oração em latim continua ali, basta por si só, e a menos que a declaração seja lida junto com a oração, nada vai reparar, ou suavizar o impacto, incluindo sua mensagem aos judeus para reconhecer Jesus como salvador de todos os homens e sua esperança de que Israel seja salvo".

O Papa, que fará sua primeira visita aos EUA, negou-se, alguns dias atrás, a modificar a antiga oração em latim na qual se pede a "conversão dos judeus".

A oração fazia parte da missa de Sexta-feira Santa do rito abandonado pela Igreja após a celebração do Concílio Vaticano II, mas foi recuperada por Bento XVI como concessão aos tradicionalistas.

Representantes judeus de todo o mundo expressaram mal-estar com a situação e pediram ao Vaticano que retire a oração.

O Vaticano se negou, mas publicou uma nota, esclarecendo que a oração "não significa, de maneira alguma, uma mudança na atitude da Igreja Católica perante os judeus, especialmente a partir da doutrina do Concílio Vaticano II, que recusa toda atitude de desprezo e discriminação aos judeus e repudia, com firmeza, toda forma de anti-semitismo".

Foxman disse que, "neste assunto, o Vaticano deu dois passos à frente e três para trás. É tranqüilizador que a Igreja Católica continue comprometida com os ideais da 'Nostra Aetate' e com um enfoque das relações com os judeus baseadas na cordialidade e no respeito mútuo".

No entanto, continuou Foxman, "é preocupante que a declaração não diga, especificamente, que a Igreja Católica se opõe ao proselitismo perante os judeus".

"O impacto dessas palavras é inegável, e gostaríamos que o Vaticano tivesse negado, explicitamente, as convocações à conversão dos judeus ao proselitismo", insistiu Foxman.

Após a polêmica com os judeus, o Vaticano anunciou esta semana que acrescentou à agenda do Papa Bento XVI uma reunião com representantes judeus em Washington e uma visita a uma sinagoga em Nova York.

ltl/cl/tt

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