Sharm el-Sheikh (Egito), 16 jul (EFE).- O Movimento dos Países Não-Alinhados (Noal), reunidos na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh, aprovou hoje a declaração e o documento final da 15ª cúpula, na qual insistem em sua aposta por um mundo multilateral.

O Noal está "determinado a revitalizar e reforçar o papel e a influência de nosso movimento como a principal plataforma política de representação do mundo em desenvolvimento nos fóruns multilaterais, em particular na ONU", diz a declaração, aprovada hoje pelos 118 países que formam esta instituição.

Além disso, o Noal aprovou uma declaração especial sobre "a necessidade de colocar fim ao embargo" dos Estados Unidos sobre Cuba.

Os Estados do NOAL "reiteram firmemente sua rejeição à adoção e aplicação de medidas e leis coercitivas extraterritoriais e unilaterais contrárias à lei internacional", afirma o documento de uma página aprovado hoje.

Reunidos na localidade turística egípcia, os líderes pediram para continuar promovendo o desarmamento, a segurança e a estabilidade.

Além disso, o breve documento final faz uma referência especial à crise econômica e financeira internacional.

Os países não-alinhados destacam que, apesar de a crise ter se originado no mundo desenvolvido, os Estados em vias de desenvolvimento foram os mais atingidos.

Como solução, propõem "uma reforma fundamental dos sistemas financeiro e econômico internacionais, assim como sua arquitetura, para reforçar a voz e a participação dos países em vias de desenvolvimento na tomada de decisões".

Também solicitam a reforma da ONU e, especialmente, de seu Conselho de Segurança.

O texto faz referência, além disso, à necessidade da promoção da paz, dos direitos humanos, da democracia e da sociedade civil, enquanto insiste no direito "inalienável de todos os povos (...) à autodeterminação".

Neste sentido, faz uma referência explícita à questão palestina e condena os "assentamentos ilegais israelenses" nos territórios palestinos.

Além disso, insiste no direito dos palestinos de criar um Estado próprio com capital em Jerusalém Oriental.

A declaração fala da mudança climática, da energia, do tráfico de pessoas ou do terrorismo internacional, e conclui com uma chamada ao diálogo entre as civilizações e as religiões.

O documento final, com uma extensão de mais de 100 páginas, faz um percurso detalhado pelas questões políticas, sociais, econômicas e sobre direitos humanos que afetam os países-membros.

A situação no Oriente Médio, os conflitos da África, o recente golpe em Honduras, e o bloqueio econômico e comercial americano contra Cuba também estão no documento.

O ministro de Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, descreveu o texto durante a cúpula como um documento onde estão incluídos todos os problemas que afligem o ser humano. EFE jfu/an

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