Declaração dos Direitos Humanos é referência, mas pode avançar, diz Sakamoto

A Declaração Universal dos Direitos Humanos permitiu avanços políticos significativos, mas não foi suficiente para garantir dignidade para a população mundial. Esta é a opinião de Leonardo Sakamoto, jornalista, colunista do iG e coordenador da ONG Repórter Brasil.

Redação |



Sakamoto participou de um chat com internautas nesta quarta-feira, data que marca o aniversário de 60 anos da Declaração. O jornalista considera o documento uma carta de princípios e uma referência internacional do patamar mínimo do que é aceitável para a dignidade humana. Nós precisávamos dessa referência, ainda mais hoje, em um mundo em que os direitos humanos são constantemente violados, afirmou.

Para o jornalista, os principais pontos do texto são os que se referem à proteção à infância, à dignidade e à liberdade. São esses pontos também que, segundo ele, pedem avanços.

Se conseguirmos garantir que não haja mais tortura por parte do Estado, se conseguirmos evitar que crianças e adolescentes sejam objetos sexuais, e se conseguirmos garantir um mínimo de dignidade para os nossos trabalhadores, já teremos feito uma grande conquista.

Sakamoto disse aos internautas que o Estado é o maior, mas não o único responsável pelo fato de a Declaração não ser totalmente cumprida. Segundo ele, o setor empresarial também deixa de cumprir os pontos do texto.

Na surdina de chãos de fábrica, em escritórios e fazendas, ocorrem graves violações aos direitos humanos, que muitas vezes não são conhecidas pelo resto da sociedade, pois empresas usam seu poder econômico para calar, por pressão ou por suborno, muita gente que traria isso a público.

Para o jornalista, seria importante que a sociedade evitasse comprar produtos cuja fabricação envolvesse a violação de direitos humanos.

Questionado por um internauta sobre como é possível aplicar um conceito universal de direitos humanos em países de culturas e realidades tão diferentes, Sakamoto afirmou que se alguma tradição ou costume afrontar a qualidade de vida de uma pessoa, deve ser revista condenada e atacada.

Ele lembrou, ainda, que a educação em direitos humanos é algo previsto por lei, mas não chega a fazer parte dos currículos de faculdades de pedagogia, que dirá das grades escolares.

Não discutimos direitos humanos, mas ensinamos nossos alunos a cumprirem muito bem os seus deveres, afirmou.

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