Decisão de Obama abre caminho para fim de Guantánamo

Juízes responsáveis por julgamentos militares na base americana de Guantánamo, em Cuba, confirmaram nesta quarta-feira a suspensão por 120 dias das audiências dos processos contra seis réus mantidos na prisão - cinco deles acusados de envolvimento nos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Os juízes acataram a solicitação do novo presidente americano, Barack Obama, que havia ordenado que os promotores pedissem a paralisação de todos os processos militares contra réus de Guantánamo.

BBC Brasil |

Entre os réus cujas audiências foram suspensas está Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser um dos principais responsáveis por planejar os ataques do 11 de Setembro.

A suspensão dos julgamentos militares em Guantánamo foi interpretada como o mais claro sinal de que Obama pretende cumprir sua promessa de campanha de fechar a prisão, alvo de críticas de ativistas de direitos humanos.

No entanto, o novo governo americano ainda precisará determinar quais prisioneiros serão libertados e quais deverão continuar a ser processados.

Revisão
A suspensão dos processos permitirá ao novo governo rever os casos dos réus que estão sendo julgados na base e os procedimentos e normas adotados na prisão.

Além do julgamento dos cinco acusados de envolvimento no 11 de Setembro, o processo contra Omar Khadr - um canadense acusado de matar um soldado dos Estados Unidos no Afeganistão em 2002 - também foi paralisado.

A base de Guantánamo abriga, no momento, 248 prisioneiros e alguns dos réus - incluindo Khalid Sheikh Mohammed - se manifestaram contra a paralisação dos processos.

Um dia depois de assumir o cargo de presidente, Obama realiza nesta quarta-feira uma série de reuniões com seus assessores econômicos e militares.

A expectativa é de que o presidente discuta o futuro das operações militares americanas no Iraque e no Afeganistão e detalhes de um pacote de ajuda econômica de US$ 825 bilhões.

Na campanha presidencial, Obama prometeu tirar as tropas americanas do Iraque em 16 meses e reforçar as operações no Afeganistão.

Mais de 140 mil soldados americanos ainda estão estacionados no Iraque.

Gabinete
Em outra medida tomada nas suas primeiras horas como presidente, Obama decidiu paralisar a implementação de medidas tomadas pelo ex-presidente George W. Bush nos seus dias finais no poder.

Trata-se de um procedimento comum quando um novo presidente assume o poder nos Estados Unidos.

O chefe de gabinete de Obama, Rahm Emanuel, determinou que todas as agências e departamentos do governo não implementem novas normas regulatórias até que eles passem por uma revisão.

Grande parte dos membros do governo de Obama já foi empossada, mas algumas figuras-chave ainda precisam passar por sabatinas no Senado ou debates para a confirmação no cargo.

O Senado americano, que tradicionalmente aprova com rapidez os membros de novos governos, confirmou nesta terça-feira seis nomes indicados por Barack Obama, incluindo a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano, e o secretário de Energia, Steven Chu.

No entanto, a aprovação da senadora Hillary Clinton como secretária de Estado foi adiada depois que um senador republicano solicitou um debate sobre as doações feitas por estrangeiros à fundação de seu marido, o ex-presidente Bill Clinton.

O debate seria realizado nesta quarta-feira, e a confirmação do nome de Hillary no cargo era esperada após a conclusão das deliberações.

Timothy Geithner, nomeado para o cargo de chefe do Departamento do Tesouro, também foi submetido nesta quarta-feira a uma sabatina no Senado e teve que explicar por que deixou de pagar alguns impostos quando trabalhava para o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Outros membros do gabinete de Obama que ainda precisam ser confirmados pelo Senado são Eric Holder, indicado para a pasta da Justiça, e Tom Daschle, para a Saúde.

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