Decisão de Israel sobre presos sai em meio à grande tensão na Faixa de Gaza

Daniela Brik. Jerusalém, 17 nov (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, prometeu hoje ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, que libertará 250 presos do Fatah no mês que vem, em um momento de extrema violência na Faixa de Gaza.

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Olmert fez esse anúncio durante a reunião de uma hora e meia que manteve em Jerusalém com o dirigente palestino, e que coincidiu com a última onda de violência na qual se vêem imersos Israel e grupos armados da Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islâmico Hamas.

A libertação ocorrerá por ocasião da festividade muçulmana de Eid al-Adha ou Festa do Sacrifício, em 8 de dezembro, e na qual os mulçumanos mata um cordeiro em lembrança de Abraão.

Segundo a tradição islâmica, Abraão não teve dúvidas em oferecer a vida de seu filho, Isaac, como sinal de obediência a Deus, mas na última hora o menino foi substituído por um grande cordeiro com chifres.

A decisão israelense é tomada após uma série de medidas do mesmo tipo que Olmert adotou no último ano para fortalecer a autoridade de Abbas, líder do Fatah, no seio do movimento palestino, em contraposição com o Hamas, grupo com o qual Israel não mantém contato direto.

As libertações afetaram em praticamente todos os casos os presos do Fatah ou de outras facções palestinas consideradas moderadas e oriundas da Cisjordânia, em paralelo à negociação que Olmert e Abbas mantêm há um ano, quando retomaram o processo de paz na conferência de Annapolis, nos Estados Unidos.

O atual Governo israelense e a ANP se comprometeram nessa ocasião a tentar alcançar um acordo definitivo antes do fim de 2008, uma meta que ambas as partes reconheceram recentemente ser impossível.

Acusado de vários escândalos de corrupção, Olmert deixará o cargo após a realização das eleições em 10 de fevereiro, quase um mês depois da posse de Barack Obama nos EUA, país que é o principal impulsor do atual processo de negociação.

Mesmo assim, Israel e a ANP continuam negociando para traçar o caminho de um futuro acordo de paz que firme as bases para a criação de um Estado palestino.

No entanto, faltando muito para a concretização de um acordo e alguns meses para o pleito geral em Israel, diferentes fatores poderiam dificultar o processo de paz e precipitar uma mudança na política israelense.

Nas últimas duas semanas, Israel e milícias palestinas em Gaza se viram imersos em uma série de ataques e represálias que ameaçam o cessar-fogo vigente desde junho na região.

Pelo menos 15 milicianos palestinos morreram em ataques aéreos e incursões terrestres israelenses, enquanto as facções armadas em Gaza responderam com o disparo de mais de 150 foguetes artesanais e bombas contra Israel.

Abbas reiterou hoje a necessidade de manter a calma e advertiu em sua reunião com Olmert sobre as devastadoras conseqüências que a continuação da escalada bélica poderá ter na Faixa de Gaza, segundo disse em coletiva de imprensa em Ramala o negociador palestino, Saeb Erekat.

O chefe do Executivo israelense disse a Abbas que "os ataques procedentes de Gaza levarão a uma maior deterioração da situação e forçarão Israel a responder", disse o representante palestino.

Após 12 dias de fechamento, Israel abriu hoje o posto fronteiriço com Gaza de Kerem Shalom, e permitiu a entrada de 30 caminhões carregados com alimentos e ajuda humanitária.

Na semana passada, a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) se viu obrigada a suspender a ajuda a 750 mil palestinos em Gaza após o esgotamento de suas provisões e por não poder fazer com que novas provisões chegassem à região pelo fechamento das passagens fronteiriças por Israel. EFE db/ab/rr

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