Decepcionados com Obama, judeus receiam apoiar democratas

Problemas econômicos do país e atritos entre premiê israelense e presidente americano podem minar apoio nas eleições legislativas

AFP |

Os atritos entre Barack Obama e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas sobretudo os problemas econômicos do país, vão minar o apoio dos eleitores judeus ao presidente e ao Partido Democrata nas eleições legislativas, segundo analistas e membros da comunidade na Flórida.

"Os judeus sempre votaram nos democratas e mais de 75% o fizeram por Obama em 2008, mas como outros americanos, retiraram seu apoio nos dois últimos anos", disse à AFP o professor Ira Sheskin, diretor de um centro de estudos contemporâneos sobre Judaísmo da Universidade de Miami.

Sheskin afirma que o desencanto com Obama, a quem "muitos veem menos favorável a Israel que outros presidentes", levará os judeus a optar mais por candidatos de centro, ainda que não a ponto de se inclinar para os republicanos ultraconservadores. "Em locais onde o Partido Republicano tenha candidatos do Tea Party (o setor conservador mais duro), ainda menos judeus irão votar por esse partido do que normalmente o fariam", considerou.

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Obama e a primeira-dama Michelle saíram à caça de votos no fim de semana, durante campanha democrata em Ohio (17/10/2010)
O sul da Flórida concentra o segundo maior número de judeus dos Estados Unidos, atrás de Nova York. São mais de 600 mil os judeus que vivem especialmente na área de West Palm Beach, Boca Ratón e Delray Beach, e em Sunny Isles Beach, ao norte de Miami, segundo um levantamento da Federação das Comunidades Judaicas do Condado de Palm Beack, de 2007.

A tendência do voto judeu neste ano seguirá, de qualquer forma, marcada pelas ideias liberais e "determinada pela visão dos candidatos em temas sociais, particularmente o aborto e os direitos dos homossexuais e, mais importante ainda, pelos assuntos econômicos", opinou Sheskin.

Desemprego

O desemprego alcançou na Flórida 11,7% em agosto e, com um número recorde de inadimplência das hipotecas, a perda de casas que param nas mãos dos bancos mantém-se ainda como um drama social sem saída.
Os Estados Unidos votam no dia 2 de novembro para renovar quase um terço do Senado e toda a Câmara de Representantes nas cruciais eleições legislativas de meio de mandato, nas quais os republicanos tentam recuperar o controle do Congresso.

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