Debate sobre imigração domina Cúpula de Lima

O polêmico tema da imigração ocupou nesta quinta-feira a pauta de discussão dos chanceleres que participam da V Cúpula da América Latina, Caribe e Europa, que concordaram em incluir na declaração final uma menção ao diálogo migratório entre as regiões, num momento em que os europeus estudam endurecer as medidas contra os imigrantes ilegais.

AFP |

"Incorporamos um diálogo estruturado em matéria migratória entre a América Latina, o Caribe e a União Européia" na declaração final aprovada por consenso pelos chanceleres, e que deve ser ratificada pelos presidentes na Cúpula na sexta-feira, anunciou o chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos.

"As sociedades mais desenvolvidas precisam de mão-de-obra estrangeira", disse Moratinos, destacando que "estes fluxos devem ser legais, bem gerenciados, e que protejam a dignidade e os direitos das pessoas. Isso pode ser feito com uma co-responsabilidade e um diálogo estruturado, e foi isso que concluímos ao final desta cúpula".

A União Européia está preparando regras mais duras para a imigração ilegal, que podem levar a novas políticas para a expulsão de clandestinos.

Os latino-americanos, por sua vez, chegaram à Cúpula com uma "expectativa por parte da região no que diz respeito a uma maior observação na Europa dos direitos humanos dos migrantes".

Na América Latina, "não entendemos que uma pessoa que esteja sem documentos seja considerada ilegal; não está cometendo uma ilegalidade, está com uma documentação irregular", disse na semana passada a diretora para Europa da chancelaria brasileira, Maria Edileuza Fontenele Reis.

Recentemente, o grande número de brasileiros com entrada negada na Espanha gerou uma nota de protesto por parte do Brasil, que ameaçou aplicar a reciprocidade em relação aos cidadãos espanhóis tentando entrar no país.

Estima-se que mais de 25 milhões de latino-americanos e caribenhos sejam imigrantes. Isso significa que 3,5% dos latino-americanos e 15,5% dos caribenhos deixaram seus países de origem para buscar melhores condições de vida, segundo um relatório de 2007 da CEPAL.

ym/ap/LR

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