Frente a problemas como desmeprego e previdência, governo e oposição têm dificuldade de diferenciar propostas a eleitores

Marcada pela tranquilidade e pela ausência de escândalos, a campanha para as eleições parlamentares, regionais e municipais deste domingo na Suécia foi dominada por discussões sobre emprego, impostos, previdência social, saúde e educação.

Embora a Suécia tenha sido um dos primeiros países da União Europeia (UE) a sair da crise econômica mundial, alguns de seus efeitos ainda são sentidos no país, como uma taxa de desemprego que beira os 8% e afeta especialmente os jovens.

A aliança de centro-direita do primeiro-ministro conservador, Fredrik Reinfeldt, defende aumentar para 69 anos a idade de aposentadoria, impulsionar os contratos de capacitação nas empresas e reduzir pela metade determinados impostos. Estas duas últimas medidas figuram também entre as principais do bloco opositor, que apoia também eliminar as taxações de previdência social para os jovens desempregados e pretende criar 100 mil empregos novos na próxima legislatura.

Primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, faz campanha em Estocolmo, capital sueca (18/09/2010)
AFP
Primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, faz campanha em Estocolmo, capital sueca (18/09/2010)
A dificuldade para diferenciar suas políticas das da coligação governista - por causa do giro impulsionado em 2004 por Reinfeldt, contemplando o modelo do bem-estar social - foi um dos principais problemas da oposição, liderada pela social-democrata Mona Sahlin, junto ao Partido da Esquerda e ao Partido Verde.

O exemplo mais concreto é a política fiscal, um elemento de grande importância em um país com uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo.

Mona colocou a campanha opondo a defesa do estado de bem-estar frente às reduções de impostos que representam os quatro partidos da aliança governista e que provocariam uma piora dos serviços sociais.  O problema é que na realidade é o bloco opositor o que promete as maiores reduções tributárias, 29,5 bilhões de coroas suecas frente a 26,7 bilhões (3,209 bilhões de euros frente a 2,904 bilhões) da centro-direita.

Ela se esforçou em ressaltar que a maior parte da redução de impostos será destinada aos aposentados, para corrigir o desequilíbrio frente aos assalariados pelas reduções decretadas pelo governo nos impostos ao trabalho. As reduções tributárias seriam compensadas depois com altas de mais de 33 bilhões de coroas (3,6 bilhões de euros), elevando os impostos sobre o trabalho e a gasolina, recuperando o imposto do patrimônio e reformando o da propriedade.

Essas receitas extraordinárias se destinariam a aumentar as verbas em educação e serviços sociais, mas a mobilização contra a redução tributária em defesa do bem-estar social pode perder credibilidade na visão dos eleitores.

Reformas

Frente aos esforços da oposição, Reinfeldt defendeu um programa continuísta e sem grandes reformas: ao contrário de quatro anos atrás, quando a redução de impostos e o corte dos subsídios eram uma reivindicação fundamental, a aliança praticamente não anuncia mudanças significativas e a maioria os condiciona a que a situação econômica evolua de forma positiva.

Reinfeldt e o Partido Conservador, que se autodenomina "o único partido dos trabalhadores", aparentemente desarmaram o principal argumento da oposição, o que reforça também sua imagem de estadista que, com políticas pragmáticas, conseguiu que a Suécia seja agora um dos países da UE que cresce mais rápido.

Como é habitual nas campanhas eleitorais na Suécia, e ao contrário de seus vizinhos noruegueses e  dinamarqueses, a imigração não foi um assunto de destaque, já que nenhum dos dois blocos defende mudanças substanciais nesse área, onde a Suécia sempre foi conhecida por sua política de tolerância.

Tampouco a convocação de um novo referendo sobre a adoção do euro apareceu na campanha. No entanto, a Guerra do Afeganistão foi destaque com o anúncio da oposição que retirará as tropas em 2013, enquanto a aliança governista condiciona a decisão a um consenso no seio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Sistema

Na Suécia, vigora o sistema de monarquia parlamentar, em que o poder legislativo é formado por um Parlamento unicameral (Riksdag) formado por 349 deputados e cujo presidente designa o primeiro-ministro. O país está dividido administrativamente em 24 condados. A administração local é importante, já que os 279 municípios são responsáveis por mais de 40% das funções públicas.

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