Oposição à imigração ilegal e defesa de um controle mais firme na fronteira podem afastar hispânicos, grupo crucial nas eleições

Os pré-candidatos do Partido Republicano à presidência dos EUA aumentaram as críticas contra os imigrantes ilegais em um debate realizado na noite de terça-feira em um hotel-cassino de Las Vegas, Nevada, Estado com a maior taxa de desemprego do país (13,4%) e onde os votos hispânicos podem ser cruciais para obter a vaga na Casa Branca.

(Da esq. para dir.): Pré-candidatos republicanos Herman Cain, Mitt Romney e Rick Perry participam de debate em Las Vegas (18/10/2011)
AP
(Da esq. para dir.): Pré-candidatos republicanos Herman Cain, Mitt Romney e Rick Perry participam de debate em Las Vegas (18/10/2011)
No quinto debate republicano em seis semanas, no qual houve espaço para a economia e a política externa, os presidenciáveis também mostraram suas diferentes visões sobre os protestos dos "indignados" contra Wall Street. 

A dura oposição à imigração ilegal e a defesa de um controle mais firme nas fronteiras são alguns dos temas polêmicos defendidos pelo partido. Mas partes do debate sobre a questão - como o foco em fechar a fronteira com o México - não são bem vistas pelos eleitores da comunidade hispânica. O escolhido do partido para tentar impedir a reeleição do presidente Barack Obama em 2012 precisará do apoio dos hispânicos, o grupo minoritário de crescimento mais rápido nos EUA.

Em 2008 Obama derrotou o republicano John McCain com ampla margem entre os hispânicos - 67% contra 31%. Para vencer em 2012, seu oponente precisará aumentar a parcela republicana para 40%, equiparando-se a George W. Bush (2001-2009), que era mais bem visto entre os imigrantes quando foi reeleito em 2004.

Os candidatos à vaga republicana mantiveram as críticas duras contra a imigração no debate em Nevada, onde 27% da população é hispânica.

O governador do Texas, Rick Perry , e o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney , um dos com mais chances de conquistar a candidatura presidencial republicana, protagonizaram um dos momentos mais tensos da noite.

Entre vaias e ovações, Perry acusou seu rival de ter contratado imigrantes ilegais para trabalhar em sua casa, o que indignou Romney. Segundo informações publicadas na imprensa, em 2007 uma companhia especializada em jardinagem que empregava imigrantes ilegais trabalhou na residência do ex-governador em Boston. Romney contra-atacou Perry ao afirmar que ele não apoiou a construção de uma cerca na fronteira entre o Texas e o México.

"Um muro pode ser construído, mas isso levará entre 10 e 15 anos e custará US$ 30 bilhões", justificou Perry, que disse que usará aviões teleguiados ao longo da fronteira com o México e defendeu o envio de tropas adicionais para patrulhar a região.

O empresário Herman Cain , que vem crescendo nas pesquisas de intenção de voto, foi questionado sobre seu comentário de que os EUA deveriam construir uma cerca elétrica ao longo da fronteira com o México, com arame farpado em cima.

Durante o final de semana Cain disse que sentia se seus comentários haviam ofendido alguém, mas afirmou que não desistira da ideia. "Não me desculpo de forma alguma por querer proteger os cidadãos americanos e nossos agentes na fronteira", disse Cain no debate de terça.

A congressista por Minnesota, Michele Bachmann , por sua vez, prometeu edificar um muro "de parede dupla" e criticou mulheres estrangeiras que vão aos EUA e dão à luz "bebês-âncora", na qual baseiam seus pedidos para permanecer no país.

Romney acabou interrompendo a discussão acirrada para adotar um tom mais ameno. "Acredito que o importante para nós, republicanos, é dizer algo que ainda não foi dito. Acredito que cada um aqui ama a imigração legal. Nós respeitamos as pessoas que vêm para cá legalmente."

Indignados de Wall Street

Outro dos momentos quentes do debate ocorreu quando Cain afirmou que os "indignados" do movimento "Ocupem Wall Street", que acabam de completar um mês acampados no distrito financeiro de Nova York em protesto pelos excessos do capitalismo , "dirigem seu enfado em direção ao lado errado", pois deveriam se manifestar "nas portas da Casa Branca".

"É um tempo crítico para os EUA, e o país necessita de um presidente que entenda como funciona a economia e que saiba como criar empregos", comentou Romney, por sua vez.

A economia também foi tema de debate, especialmente com críticas ao plano "9-9-9" promovido por Cain, com o qual pretende elevar a 9% os impostos sobre os negócios e a renda dos particulares, além de criar um imposto de 9% sobre o consumo nacional, em contrapartida eliminando os impostos sobre lucros, sobre a folha de pagamento e os impostos estatais.

Todos seus rivais arremeteram contra esse plano e disseram que, na realidade, suporá um aumento dos impostos para a classe média, como também avalia Obama, que na terça-feira afirmou que representaria uma "enorme carga" para as famílias trabalhadoras.

Em tom levemente condescendente, o governador do Texas chamou Cain de "meu irmão" antes de afirmar: "Não acredito Herman que isso funcionará." "Se dermos ao Congresso um imposto de 9% sobre o consumo, em quanto tempo um presidente e um Congresso de esquerda elevarão isso a 90%?", Indagou.

Romney também não poupou Cain. "As pessoas observam mais impostos, segundo o seu plano. Se fosse menos elevado para classe média, tudo bem. Mas não é o que eu vejo."

Cain, ex-dono da rede de pizzarias Godfather, defendeu-se afirmando que seu plano não aumentaria os impostos para as famílias americanas e convidou cada residência a fazer seus cálculos. Segundo uma pesquisa CNN/ORC International divulgada na terça-feira, Romney é o favorito para ser o candidato republicado, mas Cain é o mais querido pelos americanos.

O final do debate se centrou na política externa, com ataques ao Irã, como o de Michelle Bachmann, que chamou o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de "maníaco genocida".

Ao analisar formas de reduzir o alto déficit americano, o legislador Ron Paul propôs retirar as tropas do país no Japão e na Coreia do Sul, enquanto Perry sustentou que toda a despesa externa deve ser "examinada", incluindo o financiamento às Nações Unidas.

Também participaram do debate o ex-presidente da Câmara de Representantes Newt Gingrich e o ex-senador pela Pensilvânia Rick Santorum , mas não o ex-governador de Utah Jon Huntsman, que decidiu boicotar Nevada pelo fato de o Estado ter antecipado para 14 de janeiro a data de suas primárias para selecionar os candidatos.

*Com Reuters, EFE e AFP

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