Debate: Calibre fino (e frouxo)

Por Lucas Mendes, de Nova York Debates não mudam resultados de eleições. Não é afirmação minha. Os analistas garantem que reforçam convicções e dividem os indecisos. Provam com números e debates anteriores.

BBC Brasil |

    No debate entre Kennedy e Nixon, Kennedy ganhou na postura. Nixon perdeu na barba e no suor, mas foi melhor na argumentação. Quem ouviu pelo rádio, e na época eram milhões, deu vitória para Nixon, mas ele perdeu a eleição, provavelmente por votos roubados no Misssouri e em Chicago.

    O senador John Kerry ganhou disparado todos os três debates contra George Bush em 2004 e perdeu a eleição.

    O senador Joe Biden ganhou o debate de maior audiência nesta campanha, mas Sarah Palin recuperou convicções e verbas conservadoras para a campanha republicana.

    São debates inúteis? Não. Com raras exceções, são fascinantes. Eles nos dão a melhor oportunidade de ver os candidatos numa confrontação de idéias e soluções fora das entrevistas e discursos. O de ontem foi um dos mais finos e frouxos.

    Mudou o rumo da campanha? Provavelmente não. Obama, mister Discurso, ganhou por pontos num ambiente onde McCain, Mister McPapo, fraco em carisma e eloqüência, se sente mais à vontade.

    Os conservadores republicanos e a vice, Sarah Palin, queriam que o senador McCain atacasse Obama com calibre grosso, ou tirasse as luvas, com sugeriu Sarah Palin.

    Dispare contra o patriotismo e as convicções de Obama. Antes de se converter ao cristianismo, aos 29 anos, era ateu ou muçulmano? Como conseguiu entrar nas melhores escolas americanas? Porque não mostra seus currículos nas faculdades? Como foi sustentado quando não tinha dinheiro? Quais foram as namoradas dele? Bateu em alguma? De quem comprava drogas. Vasculhe as conexões perigosas de Obama em Chicago, com a máquina política da família Daley, com os mafiosos, ex-terroristas e pastores radicais.

    McCain não seguiu os conselhos da ala da lama e do calibre grosso. E fez bem. Das poucas vezes que partiu para o ataque pessoal, os monitores eletrônicos nas mãos de eleitores apontavam para baixo. Os americanos não querem uma campanha negativa, nem em comerciais nem nos debates. Querem respostas claras.

    Desde o começo ficou claro que o foco seria a economia e Barack Obama não perdeu nenhuma oportunidade de conectar McCain com o presidente Bush. Este foi o alvo dele. Bang bang - Bush e acerta em McCain.

    Pelas pesquisas pós-debate, McCain tinha pequena vantagem sobre Obama em política externa e terror, mas o democrata ganhou com 20 pontos de diferença em economia e finanças e com boas margens em capacidade de liderança, credibilidade e no comportamento menos agressivo durante o debate. Até agora foi o mais frouxo dos debates.

    Barack Obama lidera nas pesquisas nacionais, em algumas até com oito por oito pontos. O debate vai mudar a margem? Provavelmente não mas, se a economia continuar rumo a recessão, a distância entre os dois candidatos vai aumentar e a história esta a favor de Obama.

    Nas últimas seis eleições, o candidato que estava na liderança quatro semanas antes da eleição foi o vencedor (algumas pesquisas davam Kerry empatado com Bush em 2004) e Al Gore chegou a empatar com Bush faltando três semanas. Ganhou no voto popular mas perdeu no colégio eleitoral por decisão da Suprema Corte.

    A 26 dias da eleição, a lama republicana vai engrossar, mas se Obama mantiver o calibre fino e se não acontecer a surpresa de outubro, o caminho da Presidência esta aberto para ele.

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