De olho no voto hispânico, Obama participa de fórum latino na Califórnia

María Peña San Diego (EUA) 13 jul (EFE).- De olho em conquistar o apoio dos hispânicos, o senador democrata Barack Obama participará hoje de um influente fórum latino no sul da Califórnia, tentando repetir a bem-sucedida estratégia do tempo em que era organizador comunitário.

EFE |

Horas antes do discurso de Obama diante do Conselho Nacional da Raça (NCLR, em inglês), uma das organizações hispânicas mais antigas e influentes dos Estados Unidos, fontes do comitê de campanha do senador explicaram à Agência Efe a estratégia utilizada pelo democrata para ganhar o apoio dos hispânicos.

Este grupo de eleitores parece ser uma peça-chave para as eleições gerais de quatro de novembro.

Obama "está revolucionando a política além do recenseamento de eleitores, de anúncios em espanhol e outras atividades tradicionais de campanha eleitoral (...) ele quer aproveitar sua experiência de ativista comunitário para gerar um movimento de base entre os hispânicos", explicou Federico de Jesús, um membro da campanha.

A julgar pelas recentes pesquisas de opinião, Obama leva vantagem em relação a seu rival, o senador republicano John McCain, mas seus assessores reconhecem que ainda falta muito até novembro, a sorte pode mudar, e o que conta é quem chegará primeiro ao objetivo.

Para aumentar a participação dos hispânicos, Obama conta com vários assessores, voluntários e ativistas desta minoria espalhados por todo o território dos EUA, e especialmente em estados importantes como Nevada, Novo México, Colorado e Flórida.

"Mesmo sabendo que iria perder (nas primárias) em Porto Rico, o senador Obama continuou lutando e até gravou um anúncio em espanhol, e isso é algo que nossa população respeita", disse Andrés Ramírez, vice-presidente do NDN, um centro de pesquisa identificado com o Partido Democrata.

Ramírez disse também que o candidato que conseguir o apoio dos hispânicos "terá assegurado seu domínio em Washington".

A nova estratégia significa que Obama aprendeu com a senadora Hillary Clinton, sua antiga adversária e agora leal seguidora, que para conquistar os latinos é preciso visitar seus bairros, reunir-se com seus líderes e incluí-los de forma proeminente na campanha.

Os latinos estão entre os 18 milhões de eleitores que apoiaram Hillary durante o processo de primárias e aos quais Obama agora tenta seduzir com discursos de caráter populista.

A internet também entra na disputa, pois é um espaço aproveitado por Obama não só como campo de treinamento para os ativistas, mas também como local de troca direta com o público.

O candidato tenta manter essa troca popular, tal como fez na juventude, quando era organizador comunitário.

Os assessores de Obama prometem fazer o que tiverem de fazer, e em qualquer lugar, para conquistarem os latinos, apagarem qualquer dúvida e convencê-los de que o senador afro-americano de Illinois é o porta-bandeira de que necessitam.

Entre suas linhas de ataque, a campanha de Obama insiste que McCain abandonou seu próprio projeto de lei de reforma migratória - algo que o senador do Arizona nega taxativamente -, disse um assessor que não quis ser identificado.

Os assessores de McCain argumentam que ele continua a apoiar a reforma, mas dá ênfase à segurança fronteiriça.

Além disso, reforçarão a idéia - errônea e infundada, segundo McCain - de que o candidato republicano "não está sintonizado" com os latinos.

São ataques que certamente encontrarão resposta do grupo de McCain, que também tenta seduzir os latinos.

Calcula-se que pelo menos nove milhões de hispânicos irão às urnas em novembro, embora haja toda uma mobilização cívica para assegurar que esse número ultrapasse os dez milhões.

Há cerca de 17 milhões de hispânicos aptos a votar, e a importância política deles é inegável. Nas eleições de 2004, pouco mais de sete milhões votaram, e o presidente George W. Bush foi reeleito graças, em parte, ao apoio que obteve de 40% dos hispânicos.

O desafio de 2008 é incentivá-los a votar, e é o que ambos os candidatos tentam, participando de foros como o da NCLR, que hoje receberá pelo menos cinco mil pessoas.

O fato de os dois candidatos terem ido a três foros hispânicos nas últimas semanas é sinal da importância que os latinos têm nesta eleição.

O gigante despertou e todos reconhecem que, diante de sua crescente maturidade política, já não bastam comunicados traduzidos para o espanhol. EFE mp/fh/rr

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