De Mandela a Bush, passando pelos dirigentes africanos, as condenações se multiplicam para denunciar a violência no Zimbábue e a farsa de um segundo turno das eleições presidenciais desta sexta-feira com o presidente Robert Mugabe como único candidato.

Rompendo um silêncio de vários anos sobre a situação no Zimbábue, o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela denunciou na quarta-feira o "trágico erro do governo" desse país vizinho da África do Sul.

A autoridade moral da África fez uma alusão breve, mas muito incisiva à crise nesse país, durante um jantar de caridade em Londres organizado como parte das festividades por seu 90o aniversário.

Críticas que vão de encontro à passividade do presidente sul-africano, Thabo Mbeki, principal mediador entre os campos opostos no Zimbábue, que continua a privilegiar o método da "diplomacia discreta".

Já Washington elevou o tom frente à obstinação de Robert Mugabe na realização de um segundo turno das eleições.

Do Japão, a secretária de Estado Condoleezza Rice pediu nesta quinta-feira que o governo zimbabuano atenda à exigência da oposição de formar um governo "legítimo".

O presidente George W. Bush classificou de "farsa" o segundo turno das eleições presidenciais e pediu à União Africana (UA) que aumente a pressão sobre o regime.

"Espero que a UA, durante sua reunião deste final de semana, continue a deixar clara a ilegitimidade desta eleição, que ela continue a lembrar ao mundo que esta eleição (...) não é livre e que ela não é justa", disse nesta quarta-feira.

A UA, que realiza nesta sexta-feira consultas preparatórias, teve até agora uma postura tímida em relação à crise no Zimbábue.

A chanceler alemã Angela Merkel instou os países africanos a "fazer valer sua influência para encontrar um melhor caminho para o Zimbábue", durante uma entrevista coletiva à imprensa ao lado da presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf.

O candidato democrata à Presidência americana Barack Obama criticou com veemência na quarta-feira a passividade frente à violência eleitoral.

Ele pediu à comunidade internacional "e em particular aos outros países africanos, e inclusive à África do Sul", que "condenem com muito mais vigor a violência extraordinária cometida lá", classificando o processo eleitoral zimbabuano de "impostura completa e absoluta".

O líder da oposição Morgan Tsvangirai também havia feito um apelo na quarta-feira aos dirigentes africanos para que agissem "agora", exigindo a anulação pura e simples do processo eleitoral.

Após uma reunião extraordinária em Suazilândia na quarta-feira, que não teve a participação de Thabo Mbeki, os líderes da África Austral pediram o adiamento do segundo turno e exortaram os dois lados a negociar.

"A situação política não parece permitir a realização de um (segundo) turno das eleições que seja livre e justo", ressaltou o secretário-geral da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC, 14 países), Tomáz Augusto Salomão.

A Presidência eslovena da União Européia indicou nesta quinta-feira que "apóia inteiramente" o apelo da SADC em favor de um adiamento. Merkel viu neste apelo "uma mensagem importante".

O Quai d'Orsay advertiu nesta quarta-feira que a França "não reconhecerá" a legitimidade de um governo formado em "eleições fraudulentas" após a retirada forçada do líder da oposição.

O primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou, também na quarta-feira, diante do Parlamento as medidas que Londres pretende adotar contra o governo do Zimbábue, sanções financeiras e entrada proibida em território britânico, após a ameaça de um reforço das sanções anunciadas pela União Européia durante uma reunião em Bruxelas na semana passada.

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