BUENOS AIRES - Os ex-presidentes argentinos Raúl Alfonsín e Fernando de la Rúa foram intimados como testemunhas no julgamento que começará na quinta-feira por tráfico de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995 e no qual o ex-líder Carlos Menem é um dos acusados, informou hoje a imprensa local.

Menem será processado junto a outros 17 ex-funcionários e militares aposentados, envolvidos no contrabando de fuzis, canhões e munição durante seu Governo (1989-1999).

No julgamento, que deve durar sete meses, espera-se que desfilem 424 testemunhas, entre eles os ex-governantes Alfonsín (1983-1989) e De la Rúa (1999-2001), cujos depoimentos podem fornecer elementos úteis na avaliação dos decretos assinados por Menem para habilitar o desvio de armas, explicaram fontes judiciais.

Croácia e Equador receberam, entre 1991 e 1995, munição, canhões e fuzis fabricados por uma estadual argentina, em um momento em que estava em vigor uma proibição internacional de fornecer armamento a esses países.

As armas recebidas pelas duas nações estavam oficialmente destinadas ao Panamá e à Venezuela, segundo consta dos decretos correspondentes.

Menem foi detido em 2001 e processado sob a acusação de liderar uma "formação de quadrilha" para o contrabando de armas, mas recuperou a liberdade seis meses depois, depois que a Corte Suprema de Justiça anulou as acusações em uma decisão que foi questionada.

Entre os acusados também estão Emir Yoma, o ex-assessor presidencial e ex-cunhado de Menem; Óscar Camilión, ex-ministro da Defesa; Juan Paulik, ex-chefe da Força Aérea; e Luis Sarlenga, ex-interventor de Fabricações Militares.

Outro dos acusados deste caso é o traficante de armas argentino Diego Palleros, considerado uma peça-chave para esclarecer o caso.

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