De Copenhague a Nápoles com escalas

Morro de ciúmes dos blogs e colunas onde me encontro enfileirado. Do Tendências ao BBC À Mesa passando pelo Planeta & Clima.

BBC Brasil |

Vontade louca de meter meu bedelho abelhudo em tudo. Na coluna do Lucas Mendes inclusive.

O blog ambientalista me faz cócegas no dedo do gatilho. No bom sentido, claro. Agora mesmo com essa cúpula, conferência, convenção, ou seja lá o que for que está acontecendo em Copenhague, só não me mandei para lá, por conta própria, porque não há mais lugar para ninguém na capital dinamarquesa.

A maior firma de aluguel de limusines da cidade não deu conta do recado. Só tem 12 limos rodando pela capital. Tolos, acharam que, numa reunião destinada a salvar o clima do mundo, não haveria demanda para poluentes como os vastos e imponentes carros que emprestam sua grandiosidade a figuraços e figurões. Os pedidos choveram. E tome pegada ambiental. A firma para sobreviver, feito nós, terráqueos, acabou tendo de trazer mais de 1200 limos da Alemanha e da Suécia. Só os franceses pediram 42.

Quantos carros híbridos ou elétricos foram encomendados? Nenhum. A conferência é um projeto da maior projeção, dizem-nos. Tanto que 140 jatinhos particulares extras sobrevoaram e sobrevoam Copenhague, no período de pico, em busca de hora e lugar para pousar. VIP é VIP e deles depende a salvação de nosso planeta. Basta perguntar a qualquer uma das 15 mil autoridades e representantes que lá foram ter. Ou a um dos 5 mil jornalistas e 98 líderes mundiais, que, na Dinamarca, buscam nos salvar. Gente do gabarito de uma Daryl Hannah, Leonardo DiCaprio, a modelo Helena Christensen, o arcebispo Desmond Tutu, o Príncipe Charles e Caetano Veloso. Minto. Sei lá, me deu uma coisa. Caetano não foi. Está ocupado promovendo a pegada de seu DVD no Brasil.

Tratando-se da Escandinávia, até as prostitutas contribuíram para a salvação do planeta. Indignadas com um pequeno cartão bolado pelo conselho local e distribuído entre esses salvadores todos (dizendo "Seja sustentável, não compre sexo"), numa reunião de seu sindicato (sim, elas têm sindicato de "trabalhadoras na indústria sexual") deliberaram que todas as 1400 sindicalizadas ofereceriam uma, mas uma só, queimação grátis de incenso no altar de Eros a todos aqueles que mostrarem seu passe de representante oficial junto à redentora empreitada ambientalista.

Cidade cheia, ruas sujas, ativistas ativando, pouquinho de pau comendo. Direitinho o mundo tal como ele é. Ainda, no entanto, passível de, no mínimo, alguma melhora. Dedos cruzados, que eles não emitem C02, não deixam pegada ambiental.

Deixo, pesaroso, a Copenhague das limos e dos jatinhos, e a pé mesmo dou uma chegadinha até o BBC à Mesa.

É que a pizza napolitana está salva. Ou, ao menos, conta com alta comenda e recomendação oficial de importante organização belga, aquela mesma das couves, ou esprutos de Bruxelas, como eu os chamo na intimidade de meu lar. Altas autoridades (nunca confie em autoridade baixinha) em Bruxelas, em comissão, sem limousines ou jatinhos, concederam o status de Especialidade Tradicional Garantida à nossa querida pizza margherita.

Deram ainda, para gáudio dos italianos (ah, os italianos diante de um gáudio!), as condições precisas para chamar uma pizza napolitana de pizza napolitana. Ela tem que ter 35cm de diâmetro, uma espessura entre 1 e 2cm e conter tomate, basilicão e muçarela legítima e nenhum, mas nenhum mesmo, ingrediente estrangeiro. O ministro da agricultura do governo Berlusconi (ora em adiantado estado de recuperação), Luca Zaia, disse tratar-se de "uma grande vitória para a Itália". Na votação que consagrou a margherita só a Polônia se absteve. Serão ciúmes do pierogi, meu querido Thomas Pappon?
Lembremos que a pizza e seu nome datam de 1899, tendo sido inventada pelo famoso pizzaiolo napolitano, Raffaele Esposito, especialmente para a visita àquela cidade do rei Umberto 1 e sua rainha, Margherita. As cores da pizza são as mesmas da bandeira italiana.

Terra a salvar, pizza napolitana salva. É a vida.

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