David Petraeus pede congelamento da retirada americana do Iraque

O general David Petraeus, o comandante americano de mais alta patente no Iraque, recomendou nesta terça-feira a Washington um congelamento de pelo menos um mês e meio, a partir de julho, da retirada das tropas dos Estados Unidos do Iraque, num momento em que forças da coalizão e milicianos xiitas se enfrentavam em Bagdá.

AFP |

"Recomendo que continuemos a retirada das brigadas de combate enviadas como reforço e que ao término da retirada da última destas cinco brigadas, em julho, iniciemos um período de 45 dias de avaliação e consolidação", declarou Petraeus ao Congresso dos Estados Unidos.

"No fim deste período, iniciaremos uma avaliação das condições no terreno para determinar quando poderemos recomendar novas reduções" do contingente, acrescentou, qualificando os progressos realizados no Iraque de "frágeis e reversíveis", algo que foi evidenciado pela recente retomada dos combates.

O presidente da comissão das Forças Armadas do Senado, o democrata Carl Levin, denunciou "uma pausa de duração indeterminada". O general Petraeus se recusou a prever quantos soldados americanos haverá no Iraque no final deste ano, nas últimas semanas do mandato do presidente George W. Bush.

Por sua vez, o embaixador americano em Bagdá, Ryan Crocker, afirmou que o acordo que está sendo negociado entre Washington e Bagdá para permitir a manutenção das tropas americanas no Iraque depois do dia 31 de dezembro não "deixará o próximo governo (americano) de mãos atadas".

A audiência foi perturbada por manifestantes pedindo o fim da guerra. Um deles foi retirado da sala pela polícia, depois de ter interrompido o general Petraeus aos gritos de: "tragam os soldados de volta para casa!".

O contingente americano no Iraque é formado atualmente por 158.000 homens. Até julho, este número deverá cair para 140.000 soldados, ou seja, 10.000 a mais que antes do envio de reforços, no início de 2007.

Referindo-se à recrudescência de violência registrada nas últimas semanas, David Petraeus ressaltou que o Irã está desempenhando um papel "destrutivo" no Iraque, ao apoiar as milícias xiitas dentro do país.

Ele também considerou que a ofensiva do Exército iraquiano lançada no fim de março em Basra (sul) contra a milícia do líder radical xiita Moqtada al-Sadr não foi "preparada e planejada de maneira adequada".

Pelo menos 12 pessoas foram mortas nesta terça-feira no bairro xiita de Sadr City, na periferia de Bagdá.

Já os candidatos à eleição presidencial americana estiveram no Congresso para ouvir os relatórios de Petraeus e Crocker.

O republicano John McCain, que defende a estratégia de envio de reforços iniciada no ano passado, insistiu nos "progressos realizados em matéria de segurança" e de reconciliação política, e repetiu que uma retirada precipitada mergulharia o país no caos.

Já a democrata Hillary Clinton reiterou suas críticas à guerra no Iraque e pediu um retorno rápido dos soldados americanos.

"Há cinco anos que o governo (de Bush) diz que as coisas estão melhorando, que estamos no caminho certo, mas os iraquianos sempre falham" em cumprir o que se espera deles, declarou a ex-primeira-dama, exigindo uma retirada "ordenada" do Iraque.

Depois do Senado, Petraeus e Crocker apresentarão nesta quarta-feira seus relatórios respectivos à Câmara dos Representantes.

O presidente Bush deve fazer um discurso sobre o assunto na quinta-feira.

dab/yw/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG