David Cameron, o homem que reinventou os "tories"

Judith Mora. Londres, 4 mai (EFE).

EFE |

Judith Mora. Londres, 4 mai (EFE).- O moderno David Cameron, candidato a primeiro-ministro do Partido Conservador, se apresenta ao eleitorado como o homem que conseguiu modernizar a legenda e transformá-la em uma verdadeira alternativa de Governo. Com seu conservadorismo "compassivo" - distanciado do neoliberalismo feroz de seus antecessores -, quer apelar ao eleitor de centro que ainda vê com suspeita o que chegou a ser conhecido como "Nasty Party" (partido malvado), pela desolação social que o país viveu durante os anos mais difíceis do thatcherismo (1979-1990). Em seu esforço para transformar a legenda, relegada à oposição durante 13 anos, mas novamente "elegível" nas urnas, Cameron a depurou de seus elementos mais reacionários e parece ter neutralizado - pelo menos por enquanto - as diversas correntes internas que se enfrentam em assuntos como a relação com as minorias e a União Europeia (UE). No entanto, sua falta de definição ideológica, que substitui com uma eficaz apresentação de políticas pontuais com as quais aspira a convencer a maioria do eleitorado, faz com que frequentemente seja acusado de ser superficial e que os cidadãos ainda o percebam como uma incógnita. Por causa de suas raízes aristocráticas e educação privilegiada, muitos duvidam da sinceridade de algumas de suas iniciativas para se unir com a população mais desfavorecida, como sua já famosa proposta de ser mais compreensivos com os delinquentes, batizada pela imprensa como "hug a hoodie" (abrace um arruaceiro). Em época de crise econômica, é difícil para Cameron defender abertamente o capitalismo selvagem e a falta de regulação financeira, abraçados um dia por seu partido, mas também indicou que não abandonará esse setor-chave da população - empresários, financistas e, em geral, fazendeiros e outra gente endinheirada - que tradicionalmente apoiou o Partido Conservador. Um dos cavalos de batalha nestas eleições é como superar a crise e combater o déficit, e a proposta "tory" de anular o aumento previsto pelos trabalhistas da cotação para a Seguridade Social recebeu o aplauso dos principais empresários do país. Cameron define a si mesmo e a suas ideias a partir de sua experiência como "homem de família". Em um recente artigo no jornal "The Daily Telegraph", defendeu sua criação acomodada e revelou que seus pais tinham-lhe inculcado o "otimismo" e ensinado que "a vida é mais do que apenas fazer dinheiro". Cameron não se criou em um ambiente político, mas foi uma viagem à antiga União Soviética em 1985 que o fez "questionar o mundo" e desenvolver valores que ainda conserva, como o de que "o Estado é seu empregado, nunca seu dono". De sua correligionária Margaret Thatcher admira "a força de suas convicções" para enfrentar, entre outros, os sindicatos que, na sua opinião, impediam o avanço do Reino Unido. No entanto, ao contrário da "Dama de Ferro" - filha de um merceeiro e entre os primeiros líderes "tories" sem pedigree - Cameron deve lutar contra sua imagem de "playboy" afastado da realidade. Nascido em Londres em 9 de outubro de 1966 em uma família de financistas com raízes nobres, David Donald William Cameron foi educado nos melhores centros do país, entre eles o Eton (1979-1984), onde tradicionalmente a realeza estuda, e na universidade de Oxford (1985-1988), na qual formou-se em Filosofia, Política e Economia. Em seu período na universidade conheceu o atual prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, no polêmico e exclusivo Bullingdon Club. Seu primeiro trabalho foi em 1988 no Departamento de Pesquisa do Partido Conservador, onde foi promovido até se transformar em parte da equipe do então primeiro-ministro do Reino Unido, John Major. Em 1996 se casou com Samantha, também de família aristocrática, com a qual teve três filhos - Ivan (falecido no ano passado aos 6 anos), Nancy, de 6 anos, e Arthur, de 4 - e espera o quarto. Entre 1994 e 2001 trabalhou como diretor de comunicações para a rede de televisão Carlton, posto onde fez inimizade com vários jornalistas britânicos, um dos quais, Ian King ("The Sun"), o descreveu como "um indivíduo venenoso e escorregadio". Após concorrer sem sucesso às eleições em 1997, em 2001 conseguiu sua primeira cadeira parlamentar pela circunscrição de Witney - um reduto conservador -, após o que foi elevado em 2005 a porta-voz de Educação da oposição sob a liderança de Michael Howard. Depois de ser diretor de coordenação política na campanha eleitoral de maio desse ano, apresentou sua candidatura para liderar o Partido Conservador, cargo que assumiu em dezembro de 2005 após vencer em votação vários de seus colegas. Sua excelente oratória e boa memória - que lhe permite fazer discursos inteiros sem notas - e sua imagem de conservador moderado e sensato lhe permitiram levar os "tories" à primeira linha política e colocá-los na liderança das pesquisas. jm/ma/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG