David Cameron inicia seu Governo de coalizão no Reino Unido

Londres, 12 mai (EFE).- No dia seguinte à sua nomeação como primeiro chefe de Governo conservador britânico após treze anos de liderança dos trabalhistas, David Cameron começa nesta quarta-feira sua difícil tarefa de governar à frente de uma coalizão com os liberais-democratas.

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Londres, 12 mai (EFE).- No dia seguinte à sua nomeação como primeiro chefe de Governo conservador britânico após treze anos de liderança dos trabalhistas, David Cameron começa nesta quarta-feira sua difícil tarefa de governar à frente de uma coalizão com os liberais-democratas. Cameron, de 43 anos, que terá como vice-primeiro-ministro o líder liberal-democrata, Nick Clegg, se comprometeu na terça a deixar de lado suas diferenças programáticas com seus aliados e pediu a eles que façam o mesmo para que enfrentem juntos os difíceis desafios sociais, econômicos e políticos que têm pela frente. Esta é a primeira vez que "tories" e liberal-democratas, dois partidos muito afastados ideologicamente, selam um pacto de Governo no Reino Unido. O acordo foi necessário, pois os conservadores não conseguiram a maioria absoluta de cadeiras nas eleições da última quinta-feira. Cameron fez já as primeiras nomeações de seu gabinete. O sucessor de Alistair Darling à frente do Tesouro será George Osborne, que aos 38 anos se torna o mais jovem titular do departamento em mais de um século. Veteranos do Partido Tory ocupam outras pastas: novo ministro de Exteriores, William Hague, o de Defesa, Liam Fox, e o de Saúde, Andrew Lansley. Segundo a rede de televisão "BBC", o chefe de gabinete de Clegg, Danny Alexander, que fez parte do comitê encarregado das negociações com os "tories", será o ministro para a Escócia. O porta-voz de Finanças dos liberais, Vince Cable, que durante a campanha eleitoral criticou duramente a cobiça de muitos banqueiros, se encarregará das relações com as empresas e bancos. Foram conhecidos alguns detalhes do programa de Governo. Serão acelerados os esforços para reduzir o mais rápido possível o déficit fiscal com um plano de redução da despesa em 6 bilhões de libras (pouco mais de 7 bilhões de euros) ainda este ano, plano dos "tories" ao qual se opunham tanto os liberais-democratas quanto os trabalhistas, para não arriscar a recuperação econômica. Os dois partidos acertaram, além disso, o estabelecimento de períodos de legislatura fixos de cinco anos em vez de deixar a convocação de novas eleições à conveniência do primeiro-ministro de turno, o que significa que as próximas eleições, caso a aliança não seja rompida antes, serão em 2015. Os liberais-democratas renunciaram a seus planos de introduzir um imposto sobre imóveis avaliados em mais de 2 milhões de libras (2,36 milhões de euros) enquanto os conservadores abandonaram em troca a sua pretensão de elevar o máximo do imposto sobre a herança a 1 milhão de libras (1,18 milhão de euros). O novo Governo rescindirá, além disso, o plano de aumentar a contribuição de empresários e trabalhadores à seguridade social, um dos objetivos do anterior Governo trabalhista, muito criticado pelos "tories" durante a campanha eleitoral. Os dois partidos se comprometeram também a não aceitar nenhuma transferência de competências de Londres a Bruxelas sem consultar os eleitores em plebiscito. O Partido Liberal-Democrata, de maior tendência à abertura europeia, aceitou, além disso, que se absterá de propor a entrada do Reino Unido na zona do euro nesta legislatura. Nick Clegg, que tinha proposto uma anistia para os imigrantes ilegais que vivem há mais de dez anos no país, aceitou também a proposta "tory" de fixar um teto à imigração. Em outra importante concessão aos "tories", os liberal-democratas não vão se opor no momento à renovação do custoso programa de dissuasão nuclear Trident. Em relação à principal exigência dos liberal-democratas, a reforma do sistema eleitoral majoritário, que os prejudica claramente, o partido de Clegg só conseguiu que "tories" prometessem realizar um plebiscito sobre o chamado "voto alternativo", um meio-termo entre o sistema atual e o proporcional, objetivo deles. EFE jr/fm

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