Darfur: rebeldes e governo sudanês assinam acordo de intenções

O governo sudanês e o grupo rebelde mais ativo de Darfur concluíram, nesta terça-feira, em Doha, um acordo para acabar com as hostilidades nesta região do oeste do Sudão em detrimento de uma sangrenta guerra civil.

AFP |

Uma carta de intenção foi redigida ao final de uma semana de discussões com responsáveis sudaneses e do Movimento para a Justiça e a legalidade (JEM), na presença de mediadores do Qatar, da ONU, da União Africana (UA) e da Liga árabe.

Khalil Ibrahim, líder do JEM, e Nafie Ali Nafie, assistente do presidente Omar el-Béchir, estavam em Doha para estas discussões destinadas a preparar um acerto do conflito que dura desde 2003.

"Em sinal de boa vontade, o JEM vai liberar unilateralmente prisioneiros do campo governista que estão em seu poder", declarou antecipadamente Khalil Ibrahim em entrevista à imprensa.

O documento marca uma virada importante e deve abrir o caminho para um acordo crucial para uma conferência de paz, declarou o primeiro-ministro qatariano, xeque Hamad Ben Jassem Al-Thani, em entrevista à imprensa.

Segunda-feira, xeque Hamad indicou que estas negociações devem ser lançadas em duas semanas.

Ibrahim convidou as outras partes envolvidas no conflito de Darfur a participar nas negociações.

"O JEM está preocupado com uma participação nas negociações de todas as partes envolvidas no conflito (...), as outras facções (rebeldes) assim como representantes da sociedade civil e dos países vizinhos: Chade, Líbia, Egito e Eritréia", disse.

"Estamos determinados a instaurar uma paz total em Darfur", declarou por sua vez Nafie, um alto responsável de CArtum encarregado do caso.

O embaixador do Sudão em Doha, Abdallah Al-Fakiri, disse à AFP que as duas partes esperam um acordo de paz definitivo em três meses e se comprometeram a facilitar a distribuição da ajuda internacional aos desabrigados em Darfur.

O JEM, que não assinou acordo de paz em 2006 - que apenas uma das múltiplas facções rebeldes do Darfur havia aceitado, lançou em maio de 2008 um assalto de intensidade sem precedentes contra a capital sudanesa.

Quarta-feira, seu porta-voz Ahmed Hussein Adam, havia indicado à AFP que o JEM estava pedindo uma participação ao governo central de Cartum e o desmantelamento das milícias pró-governamentais na província sudanesa.

O JEM exigia também manter seus combatentes em Darfur durante um período transitório antes de um acordo final que permitiria de integrá-los nas forças regulares', acrescetou Adam.

Uma facção da SLA (Sudan Liberation Army) conduzida por Abdel Wahid Mohammed Nour, exilado em Paris, se nega a participar das negociações e pede a abertura de um processo judicial internacional contra o presidente Béchir, ameaçado de um mandado de prisão da Corte penal internacional (CPI).

O promotor da CPI Luis Moreno-Ocampo pediu em julho a juízes que emitissem um mandado contra o presidente sudanês por sua suposta participação no conflito de Darfur. Segundo dados da imprensa, uma decisão favorável pode ser anunciada em breve.

A guerra civil de Darfur deixou 300.000 mortos e 2,7 milhões de desabrigados desde 2003, segundo a ONU. O Sudão estima em 10.000 o número de mortos.

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