Darfur está à beira de novo conflito, dizem agências

Um grupo de dez organizações humanitárias internacionais afirmou nesta quinta-feira que o acordo de paz fechado no Sudão em 2005 está prestes a ruir, e que é necessária ação imediata para evitar o reinício do conflito armado. As agências, entre elas a Oxfam, a Christian Aid e a Save The Children, apontam para um coquetel mortal de violência, pobreza crônica e tensões políticas como culpado pela ameaça iminente.

BBC Brasil |

A região sul de Darfur, rica em petróleo, deve realizar um referendo para decidir sobre a sua independência em 2011.

O acordo de paz fechado há cinco anos encerrou uma guerra civil de 22 anos que deixou cerca de 1,5 milhão de mortos na região, uma das mais pobres do planeta.

A Grã-Bretanha prometeu repassar US$ 87 milhões em ajuda para reconstruir o sul sudanês e prepará-lo para as eleições gerais de abril, as primeiras na esfera nacional nos últimos 20 anos.

O tratado de paz de 2005 permitiu que o Partido Nacional do Congresso (NCP) do presidente, Omar al-Bashir, radicado no norte do país, dividisse o governo com o Movimento pela Liberação do Povo do Sudão (SPLM), formado por rebeldes do sul.

Possíveis estopins
No relatório divulgado pelas agências humanitárias, disputas pelas reservas de petróleo sudanesas, as eleições de abril e o referendo da independência são apontados como possíveis estopins para um conflito renovado.

Os ativistas afirmam que novos combates armados na região teriam consequências devastadoras, que possivelmente se estenderiam para além do sul sudanês.

O correspondente da BBC na capital do Sudão, Cartum, James Copnall, afirmou que o país está claramente na linha de partida de 12 anos muito carregados e arriscados.

No entanto, ele acrescenta que diferentemente do início de outras crises, dessa vez há uma forte presença internacional no país. Cerca de 10 mil tropas de paz se encontram no sul sudanês.

O embaixador do Sudão na Grã-Bretanha, Omar Muhammad Siddiq, admitiu que a situação em seu país está "se deteriorando".

Ele afirmou que algumas comunidades já estão se armando e iniciando "guerras tribais" na disputa por recursos cada vez mais escassos.

"A situação não está tão boa quanto esperávamos, na época em que assinamos o acordo abrangente de paz ", disse Siddiq.

No entanto, ele não acredita que as tensões atuais afetarão as eleições, para as quais, segundo Siddiq, partidos e eleitores já estariam se preparando para participar.

Genocídio
O conflito na árida e empobrecida região de Darfur começou em 2003, quando grupos rebeldes atacaram alvos do governo, acusando Cartum de oprimir a população negra do país e favorecer a população árabe.

Milícias pró-governo contra-atacaram com força, em atos que foram classificados pelo governo dos Estados Unidos e grupos de defesa dos direitos humanos como genocídio.

O governo de Cartum nega ter dado apoio às milícias, mas a Corte Internacional de Haia emitiu uma ordem de prisão no início do ano contra o presidente sudanês, Omar Al-Bashir, acusando-o de crimes de guerra.

Embora a intensidade dos conflitos tenha se reduzido, há ainda poucas chances de se chegar a um acordo de paz.

Na semana passada, o enviado especial do governo dos Estados Unidos para o Sudão, Scott Gration, afirmou que a existência de 26 facções rebeldes no país é o maior obstáculo para se alcançar um acordo de paz.

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