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Dantas lucrou em zona nebulosa entre governo e negócios , diz Economist

A sentença que condenou o banqueiro Daniel Dantas a dez anos de prisão e ao pagamento de uma multa de R$ 12 milhões por corrupção ativa é tema de uma reportagem na edição desta semana da revista britânica The Economist. Com o título Fall of an opportunist (Queda de um oportunista, em tradução livre), o artigo descreve Dantas como um financista que lucrou com operações na zona nebulosa onde os negócios e o governo se encontram no Brasil e ressalta que ele ainda pode recorrer da sentença.

BBC Brasil |

A publicação britânica conta que as acusações contra Dantas são fruto de uma investigação sobre lavagem de dinheiro empreendida pela Polícia Federal que surgiu de uma outra investigação, que apurava a contratação pelo banqueiro da empresa Kroll para fazer espionagem.

"Durante a investigação, a polícia aprendeu um computador do Opportunity, banco de investimentos de Dantas, que continha dados que aparentemente mostravam movimentações suspeitas de dinheiro", diz a revista.

No entanto, destaca publicação, "Dantas foi condenado por um crime muito menos sofisticado: tentar subornar policiais".

Explicando que o nome da operação da Polícia Federal que prendeu Dantas em julho deste ano é Satiagraha ("emprestada do lema de independência de Gandhi e que significa 'apego à verdade '"), a revista ironiza os nomes das operações da PF, dizendo que "muitas têm títulos que soam como thrillers de aeroporto", se referindo a livros ou filmes que trazem histórias de ação e espionagem.

Influência
Descrevendo o banqueiro como alguém que "dorme pouco, se socializa menos ainda, é vegetariano e um bilionário que se fez sozinho", a publicação afirma, que, no entanto, a sua notoriedade no Brasil se deve à sua suposta influência nos círculos do governo".

A publicação diz que ele teve "fácil acesso ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, incluindo encontros com o próprio presidente".

"Essa influência continuou no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Dantas supostamente foi um dos financiadores do esquema de venda de votos no Congresso montado por líderes do Partido dos Trabalhadores de Lula entre 2003 e 2004. Muitos dos que fizeram negócios com Dantas insistem que eles foram legítimos e conduzidos de boa-fé. Entre eles está Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado e político do PT, a quem ele contratou como consultor".

A revista ainda afirma que Dantas se diz vítima de uma conspiração do governo e que seus advogados acusam a polícia de fabricar evidências e o juiz que o condenou de ser tendencioso.

A publicação ainda cita o fato de a investigação ter trazido à tona denúncias de que os grampos estão fora de controle no país e diz que o delegado que conduziu as investigações, Protógenes Queiroz, foi suspenso, acusando Dantas de fazer uma campanha na mídia para abalar sua credibilidade.

"A justiça no Brasil é obstruída por várias instâncias e intermináveis (possibilidades) de apelação. Julgamentos grandes como esse são normalmente disputados na imprensa antes de acabarem de forma desapontadora. Tarso Genro, o ministro da Justiça, diz que o julgamento de Dantas mostra que as instituições da Justiça agora estão funcionando corretamente. É cedo para dizer se ele está certo", diz a revista.

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