Damas de Branco: governo cubano anula oposição com 'desterros'

"Governo está dedicido a acabar com a oposição, a limpar as ruas", disse a líder das Damas de Branco, Laura Pollán

AFP |

O governo de Raúl Castro "está decidido a acabar com a oposição" mediante o "desterro" dos presos políticos e de todos os que possam "somar-se" às fileiras da dissidência, denunciaram este domingo as Damas de Branco, mulheres parentes de presos políticos cubanos.

"Com todos estes desterros (...), o governo está dedicido a acabar com a oposição, a limpar as ruas", disse à imprensa da líder das Damas de Branco, Laura Pollán, após fazer sua habitual caminhada dominical pela 5ª Avenida de Havana, na companhia de cerca de trinta mulheres.

"Preocupa-nos que não sejam mais os presos (políticos). Todas as pessoas que o governo acredita que possam mobilizar a oposição" ou que "possam se somar a ela estão recebendo a proposta de saída do país", acrescentou Pollán.

Ela destacou que, além da decisão de libertar 52 opositores que permaneciam na prisão do total de 75 condenados em 2003 - dos quais quase 40 já foram libertados e viajaram para a Espanha -, o governo ofereceu esta semana à família do opositor Orlando Zapata, morto em fevereiro passado após 85 dias de greve de fome, partir para os Estados Unidos.

A mesma proposta foi feita a cinco de 9 remanescentes do grupo dos 75, libertados por motivos de saúde em 2004 e 2006, e "nas prisões estão consultando" os presos condenados em outros processos sobre seu interesse em deixar a ilha, disse Pollán.

A Igreja Católica cubana anunciou, há uma semana, a libertação e partida para a Espanha de três presos políticos: Ciro Pérez, de 61 anos; Arturo Suárez, de 46; e Rolando Jiménez, de 41, que não fazem parte dos 75, o que poderia indicar um início de libertação de todos os presos políticos sem envolvimento em atos de sangue.

O governo decidiu, em julho, pela libertação em quatro meses de 52 presos políticos, como resultado de um diálogo inédito com a Igreja Católica, estabelecido em maio.

Em 20 de julho, o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, manifestou em Genebra a vontade oficial de libertar todos os presos políticos sobre os quais "não pesem responsabilidades sobre a vida de outras pessoas".

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