Dalai se declara admirador da cultura chinesa e da democracia taiuanesa

Kaohsiung (Taiwan), 1 set (EFE).- O dalai lama, líder espiritual do exílio tibetano, se declarou hoje admirador e amante das tradições e a civilização chinesa, assim como da democracia taiuanesa.

EFE |

Em discurso pronunciado na cidade portuária de Kaohsiung, com o título de "um mundo, responsabilidade comum", o líder budista qualificou a si mesmo como uma "pessoa totalmente dedicada ao fomento da democracia".

"Os senhores mantêm as tradições e valores chineses e além disso do desenvolvimento econômico e a modernização educativa, alcançaram a democracia e o império da lei", disse o dalai lama.

O principal objetivo de sua polêmica visita a Taiwan, condenada pela China, que a considera daninha para os laços entre as duas partes do Estreito de Formosa, é "estar com os que perderam seus parentes, amigos, lares... tudo" no tufão "Morakot", que causou 600 mortos na ilha.

A viagem a Taiwan do dalai lama desencadeou protestos pontuais de poucas dezenas de partidários da união da ilha com a China e de umas centenas de budistas locais, que o acusam de movimentar-se por motivações políticas.

O Governo taiuanês tratou de minimizar os efeitos negativos da visita do dirigente religioso tibetano nos laços com a China, que considera ao dalai lama um separatista.

"Não sou um independentista nem um separatista", afirmou o dalai lama, que considerou que China utiliza estes epítetos para desprestigiá-lo perante seus cidadãos.

China reagiu com a ausência de sua delegação na cerimônia inaugural da Olimpíada para Surdos, realizado do 5 ao 15 de setembro em Taipé, e com o cancelamento da visita de uma delegação financeira e de altos funcionários a Taiwan.

O presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, aprovou a visita do dalai lama perante a pressão da oposição política e seu índice de popularidade.

Ma, empenhado em uma campanha de aproximação econômico à China, rejeitou uma visita do dalai lama em 2008, por considerar que a data não era oportuna.

Esta é a terceira visita do dirigente espiritual tibetano a Taiwan, que esteve na ilha em março de 1997 e março de 2001. EFE flp/fk

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