Dalai pede formalmente ao Parlamento tibetano para se desligar do poder

Deliberação dos legisladores sobre o pedido deve demorar de sete a dez dias; líder espiritual pede urgência em decisão

iG São Paulo |

AP
Líder tibetano exige reformas democráticas para renunciar
O líder tibetano, o dalai lama, pediu nesta segunda-feira formalmente ao Parlamento do Tibete no exílio que adote reformas democráticas com vistas a nomear um representante eleito que lhe permita renunciar a seu papel político.

"Nenhum sistema de governo pode assegurar estabilidade e progresso se depende de uma pessoa, sem apoio e participação do povo no processo político. O governo de uma só pessoa é anacrônico e indesejável", afirmou o dalai em mensagem enviada ao Parlamento.

O Parlamento tibetano no exílio, situado na cidade indiana de Dharamsala, terá agora que deliberar sobre a mensagem na presente sessão, que começou nesta segunda-feira, segundo informou um porta-voz do dalai, Tenzin Talkha.

O dalai, que continuará com seus trabalhos no plano espiritual e à frente do budismo, não deve comparecer à deliberação, disse Talkha, estimando em "sete ou dez dias" o período de debate parlamentar antes de chegar a uma decisão.

Na carta, dirigida aos parlamentares, o dalai lama, de 75 anos, adverte que qualquer adiamento da decisão da Assembleia a respeito de sua aposentadoria política pode representar um "desafio esmagador" no futuro.

O religioso e Prêmio Nobel da Paz considera que o movimento tibetano está suficientemente maduro para eleger diretamente o novo chefe de governo tibetano no exílio. "Se tivermos que seguir exilados durante várias décadas, chegará inevitavelmente o momento em que  não serei mais capaz de assumir o governo", afirmou na carta.

"Por isso, é necessário estabelecer um sistema de governo enquanto ainda estou em boas condições de saúde, para que a administração tibetana no exílio seja autônoma e não dependente do dalai lama", diz o texto.

O dalai lama anunciou na semana passada a intenção de renunciar à chefia de governo tibetano no exílio, cargo essencialmente simbólico, para deixar o posto a um novo chefe de governo "livremente eleito", mas continuará sendo o líder religioso dos budistas tibetanos.

*Com EFE e AFP

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