Dalai lama termina visita a Taiwan expressando seu desejo de voltar ao Tibete

Taipé, 4 set (EFE).- O dalai lama manifestou hoje seu desejo de voltar ao Tibete na despedida de sua visita à Taiwan onde rezou pelas vítimas do tufão Morakot, que causou cerca de 600 mortes na ilha, uma visita que provocou novos protestos da China.

EFE |

"Todo tibetano tem sempre a esperança de voltar a sua terra", disse o dalai perante a imprensa de numerosos admiradores, no Aeroporto Internacional de Taoyuan.

A visita do dalai dama "alcançou seu objetivo de mostrar que não é o demônio independentista e anti-chinês que apresenta Pequim perante seu povo e o mundo", disse à Efe no aeroporto um monge tibetano residente em Taiwan.

A visita do dirigente espiritual tibetano esteve marcada pelos protestos chineses e as reservas do atual Governo taiuanês, empenhado na melhora dos laços com a China e que não quer afetar suas relações com Pequim.

"O Governo amordaçou ao dalai dama para comprazer à China", disse o diário ilhéu "Taipé Times".

O presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, não se reuniu com o dalai, como fizeram seus antecessores nas duas anteriores visitas do religioso budista a Taiwan, para marcar o caráter humanitário e não político da viagem, segundo disse seu porta-voz, Wang Yu-chi.

O dalai lama não protagonizou em Taiwan atos políticos mas rezou com os desabrigados, proferiu um discurso e encontrou o Cardeal Paul Shen, máximo expoente da Igreja Católica em Taiwan.

"Há grandes tradições muito importantes para a humanidade que é preciso proteger para que não se percam, porque enriquecem o espírito e dão uma paz espiritual que não se adquire em supermercados", disse o dalai lama sobre o budismo tibetano e cristianismo.

O dirigente espiritual tibetano, durante sua visita às zonas mais afetadas por "Morakot", o tufão mais devastador dos últimos 50 anos em Taiwan, louvou a democracia taiuanesa e as tradições e civilização chinesas.

"Não sou um independentista", declarou o dalai lama, quem também não advogou pela separação total de Taiwan e China mas por uma "relação única" em defesa e política externa, que preserve a democracia.

A maioria das palavras pronunciadas pelo dalai lama em Taiwan foram estritamente religiosas, advogando pela mudança interior, a paz entre as religiões e os ideais budistas.

Uma pesquisa encomendada pelo Partido Democrata Progressista (PDP) mostrou que 75,4% dos taiuaneses viram com bons olhos a visita do líder tibetano, e que 50,7% a consideram religiosa e não política, embora 37,5 % discordam.

O dalai lama se exilou em 1959, após uma fracassada revolta contra o controle chinês do Tibete, e defende uma autonomia que preserve as tradições tibetanas sem separação total da China. EFE.

flp/fk

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG