Dalai lama pede que comunidade internacional conduza China rumo à democracia

Paris, 13 ago (EFE).- O dalai lama afirmou hoje que a comunidade internacional tem a responsabilidade de conduzir a China pelo caminho da democracia, sem isolar o país.

EFE |

Em entrevista coletiva realizada no terceiro dia de sua visita à França, o líder espiritual tibetano acrescentou que a China quer "se incorporar à comunidade mundial".

O Prêmio Nobel da Paz reivindicou "firmeza" com a China na defesa de "certos princípios, como a democracia, a liberdade religiosa, os direitos humanos, a liberdade de imprensa e o estado de direito".

O Governo chinês, acrescentou, "nega os problemas do Tibete e não ouve os pedidos do povo tibetano", mas, apesar disso, o dalai lama se declarou disposto a continuar as conversas com Pequim.

Segundo ele, "uma sociedade fechada não tem futuro", razão pela qual pediu aos responsáveis chineses "mais transparência".

O dalai lama deu uma versão um pouco diferente à do Palácio do Eliseu sobre as razões pelas quais o presidente francês, Nicolas Sarkozy, não o receberá durante esta visita a França, que coincide com a realização dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Em resposta a uma pergunta, o líder religioso no exílio disse que, "se ele (Sarkozy) quiser, ficaria muito feliz (com o encontro).

Se não, também não é grave", segundo a versão do intérprete do dalai lama.

Fontes da Presidência francesa disseram nestes dias que, se Sarkozy não recebe o dalai lama, é porque o líder espiritual não solicitou um encontro.

"Acho que (Sarkozy) expressou o desejo de que nos vejamos no futuro", acrescentou o dalai lama.

Em comunicado, o secretário de Estado francês para as Relações com o Parlamento, Roger Karoutchi, confirmou que, efetivamente, o presidente da República receberá o dalai lama em 10 de dezembro, em Paris.

O caráter desta viagem à França, que o próprio líder religioso caracterizou como "principalmente espiritual", provocou uma polêmica política. A oposição de esquerda acusa o presidente francês de ter cedido às pressões diplomáticas chinesas.

Após a entrevista coletiva, o dalai lama foi recebido por parlamentares franceses, no único ato de caráter político previsto durante esta visita de doze dias à França.

A reunião no Senado acontece a portas fechadas, longe dos microfones e das câmeras de televisão, o que exacerbou os protestos.

EFE jms/an

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