Dalai lama diz que problemas acabariam se China desse autonomia ao Tibete

Roma, 11 abr (EFE).- O líder espiritual tibetano, o dalai lama, afirma que, se o Governo Chinês aplicasse o que está escrito em sua Constituição, se concedesse a autonomia municipal e regional e desse plenos poderes aos tibetanos, todos os sentimentos negativos desapareceriam.

EFE |

O dalai lama fez estas declarações à revista italiana "L'espresso", publicada hoje, na qual o líder religioso acrescenta que "a China poderia manter o controle da defesa e de assuntos exteriores do Tibete. Bastaria que entendessem que nosso interesse é um desenvolvimento material rápido".

O dalai lama propôs a "via intermediária" para resolver a situação do Tibete, na qual, em vez da independência, reivindica a autonomia da região, e que foi aprovada em 1997 em um plebiscito entre os exilados tibetanos.

Também disse que o problema mais importante entre a comunidade tibetana e o Governo Chinês é "o comportamento" deste último, que "usa a força para criar a paz, e com a força geram terror".

Um comportamento que, segundo ele, cria "um profundo ressentimento" por parte de "95%" da população tibetana.

Desde 10 de março, monges budistas com o apoio da população civil protagonizaram protestos no Tibete para lembrar o aniversário da fracassada rebelião tibetana contra o mandato chinês em 1959, que causou a ida ao exílio do dalai lama.

As manifestações geraram na capital tibetana, Lhasa, distúrbios que custaram a vida de várias pessoas e que fizeram os protestos se estenderem a todo o mundo.

Sobre as ações violentas realizadas por alguns tibetanos durante estes protestos, o líder budista disse que, "em geral, os tibetanos seguem princípios não violentos", mas que, "sob a pressão da emoção, certas coisas acontecem".

O dalai lama expressou que atualmente existe um "conflito de raça" entre tibetanos e chineses, e disse que, após os primeiros protestos em Lhasa, se sentiu como em 1959, quando os choques violentos entre os ocupantes chineses e a população deixaram cerca de 90.000 mortos só na capital.

"Ninguém ouviu então e ninguém ouve agora minha posição", lamentou o líder tibetano.

"Nosso problema deve ser resolvido entre tibetanos e chineses, com base em uma compressão plena".

Sobre se considera possível voltar ao Tibete, o dalai lama disse sentir que "já que não buscamos a independência, este dia poderia chegar". EFE ebp/an

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