Dalai Lama diz que aceita negociar com China sobre Tibete

O líder espiritual do Tibete, Dalai Lama, aceitou neste sábado a oferta chinesa de negociar com um enviado de Pequim para chegar à tranqüilidade na província autônoma. Ele ressaltou, entretanto, que quer conversas sérias.

BBC Brasil |

"Se forem conversas sérias, serão bem-vindas", afirmou o Dalai Lama na Índia, país onde vive exilado desde 1959. "Mas um simples cara a cara não faz nenhum sentido."
A proposta de enviar um negociador para dialogar com o Dalai Lama foi divulgada na sexta-feira pela agência estatal Xinhua, que afirmou que o encontro se daria "nos próximos dias".

A disposição da China ao diálogo - revertendo sua postura anterior - emerge após forte pressão da comunidade internacional para que Pequim dê mais espaço às reivindicações do governo do Tibete no exílio.

Desde meados de março, quando eclodiram violentos protestos pró-independência na capital da região, Lhasa, países do ocidente têm demonstrado apoio à minoria tibetana, que acusa a China de cometer um "genocídio cultural".

A China, por sua vez, alega que o "bando do Dalai Lama" orquestrou a série de protestos pró-Tibete para sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto, e despedaçar a unidade nacional do país.

Pequim acusa do líder tibetano de instigar os protestos que deixou cerca de 20 mortos, segundo as autoridades chinesas. O governo tibetano no exilo diz que as mortes alcançaram 140.

Tocha olímpica
O tratamento chinês à questão do Tibete tem sido uma constante nos protestos por respeito aos direitos humanos realizados ao longo do trajeto da tocha olímpica.

A passagem da pira voltou a atrair protestos neste sábado, desta vez na cidade de Nagano, no Japão. A polícia prendeu três manifestantes, um deles detido depois de atirar ovos contra o símbolo olímpico.

Segundo as autoridades japonesas, quatro pessoas ficaram levemente feridas em incidentes separados.

Mais de 3 mil policiais reforçaram a segurança em todo o percurso percorrido pela chama, ao longo do qual se concentraram tanto manifestantes pró-China como pró-Tibete. Em alguns momentos, houve tumulto entre grupos rivais.

No entanto, segundo o correspondente da BBC no Japão, Chris Hogg, não houve problemas graves.

A passagem da tocha dos Jogos Olímpicos de Pequim foi marcada por protestos em diversas cidades, como Atenas, Istambul, Paris, Londres e San Francisco.

Agora, a tocha segue para a Coréia do Sul, a Coréia do Norte e o Vietnã.

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