Dalai Lama diz que a China não respeita a trégua olímpica

O Dalai Lama afirmou nesta quarta-feira ante parlamentares franceses que a China não está respeitando a trégua olímpica no Tibete, segundo vários legisladores presentes no encontro a portas fechadas realizado no senado francês.

AFP |

O senador socialista Robert Badinter contou que, ao perguntar ao Dalai Lama se, durante a chamada "trégua olímpica", a China havia suspenso a opressão e as prisões, o líder do budismo tibetano deu uma resposta muito clara: "Não. Enquanto transcorrerm os Jogos, a opressão do povo tibetano e a repressão continuarão".

"O Dalai Lama se referiu a uma repressão terrível que não tem fim, apesar da trégua olímpica. Desde 10 de março ocorreram prisões, execuções e um terrível reforço da presença militar chinesa, com mais quartéis", acrescentou o deputado socialista Jean Louis Bianco.

O chefe espiritual dos budistas tibetanos foi recebido por trinta deputados e senadores franceses emuma sala do senado durante uma hora e meia. Este é o único encontro político que figura na agenda do Dalai Lama em sua visita à França.

Antes, em entrevista à imprensa, o líder espiritual do budismo tibetano afirmou que a comunidade internacional tem a "responsabilidade" de conduzir a China à democracia.

"A China tem grande interesse em fazer parte da comunidade internacional. A comunidade internacional tem a responsabilidade de levar a China à tendência geral da democracia mundial", declarou em inglês o Dalai Lama durante uma entrevista coletiva à imprensa concedida em Paris.

Na véspera, ele presidiu uma cerimônia privada com cerca de 700 crentes budistas em um templo de Veneux-les-Sablons, perto de Paris, iniciando assim oficialmente o programa de sua visita de 12 dias à França.

Falando aos fiéis, o líder espiritual espiritual tibetano evitou qualquer alusão à situação política e pediu pela paz e o diálogo entre as religiões.

"O objetivo de todas as práticas religiosas é promover a compaixão humana. NOssa responsabilidade e nosso interesse comuns são promover a harmonia entre as religiões e a paz através desta harmonia", declarou.

O Dalai Lama chegou segunda-feira à França, em plenos Jogos Olímpicos de Pequim, numa visita em que não figurará um encontro com o presidente francês Nicolas Sarkozy, que decidiu não ver o chefe espiritual tibetano para não melindrar as relações sino-francesas.

A visita do dirigente budista de 73 anos, Prêmio Nobel da Paz e encarnação mundial da não-violência, será de caráter essencialmente religioso, com exceção do encontro com os parlamentares franceses.

Prevista há mais de dois anos, esta viagem virou uma questão política depois da dura repressão chinesa dos distúrbios no Tibete, em março passado, que provocou críticas internacionais e ofuscou a viagem da tocha olímpica pelo mundo, especialmente em sua etapa em Paris.

O dirigente budista já visitou a França várias vezes desde 1982. Em 1993 foi recebido pelo então presidente, o socialista François Mitterrand.

alm/cn

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