Praga, 10 set (EFE).- O dalai lama, líder espiritual do Tibete, defendeu hoje, em Praga, uma autonomia com sentido e não a independência a respeito da China, já que, segundo ele, impediria a modernização da província.

"Queremos um Tibete moderno. E é de nosso interesse, do ponto de vista material, ficar dentro, já que é impossível o desenvolvimento separadamente", afirmou o dalai lama, que foi à capital tcheca para participar de uma conferência.

"Não estou buscando a independência", reiterou o dalai lama, que também rejeitou a política violenta do Governo de Pequim para aplacar as várias manifestações pacíficas que ocorreram em 2008 nessa região autônoma da China.

"As autoridades chinesas dependem da força, mas antes ou depois devem encontrar uma solução realista", disse.

Também acusou Pequim de fabricar "fatos artificiais", entre eles as alegações do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ao acusar o dalai lama de provocar essas manifestações estudantis, que custaram a vida de 19 pessoas na capital tibetana, Lhasa.

O líder budista e Prêmio Nobel da Paz de 1989 participa de uma conferência sobre direitos humanos na Ásia, que começou hoje dentro do Fórum 2000, fundado pelo ex-presidente tcheco Vaclav Havel.

A Embaixada da China enviou uma queixa pela visita a Praga, com este motivo, da ativista e líder uigur dos direitos humanos, Rebiya Kadeer.

Kadeer, presidente do Congresso Mundial Uigur, ficou seis anos em uma prisão, sendo liberada pouco antes da visita da então secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a Pequim em 2005.

"A visita tem caráter privado e não pode ser interpretada como uma mudança em nossa política tradicional de uma China, nem uma demonstração de que apoiamos as tendências separatistas", indicou a diplomacia tcheca, em comunicado. EFE gm/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.