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Dalai Lama considera inúteis conversações com China se não forem sérias

O Dalai Lama advertiu neste domingo que as conversações com a China serão inúteis e perderão o sentido a não ser que Pequim seja séria em sua intenção de resolver a situação no Tibete.

AFP |

"Já participamos de seis rodadas de conversações e não saiu nada delas. Se desta vez a China for séria, então é positivo, mas apenas se quiser mostrar ao mundo que 'estamos falando', então esse encontro será inútil", indicou à AFP o porta-voz do Dalai Lama, Tenzin Takla.

"Temos que considerar tudo", advertiu.

A agência estatal Nova China anunciou na sexta-feira que o governo de Pequim irá se reunir nos próximos dias com um enviado do líder tibetano no exílio para manter conversações.

No sábado, o Dalai Lama saudou essa proposta de diálogo para ajudar a resolver a crise no Tibete mas assinalou seu desejo de "conversações sérias" com Pequim.

A advertência do porta-voz coincidiu com a notícia de que Lodhi Gyari, um enviado especial do líder espiritual tibetano que conduziu as rodadas anteriores de conversações iniciadas em 2002, deve chegar à Índia na quarta-feira.

Takla confirmou a viagem de Gyari sem dar mais detalhes.

Ele se limitou a dizer que o enviado deverá viajar para a cidade indiana de Dharamshala - onde vive o Dalai Lama e o governo tibetano no exílio - para manter "consultas".

O porta-voz do líder espiritual, de 72 anos, também reafirmou a urgente necessidade de retomar os contatos com Pequim após a repressão chinesa das manifestações em Tibete, em março.

"A repressão no Tibete se agravou", disse por telefone desde Dharamsala.

"Tropas armadas estão rodeando monastérios e estão sendo feitas prisões", acrescentou o porta-voz tibetano, afirmando ainda que o Dalai Lama "sente que para resolver esses problemas temos que nos reunir para conversar".

Os analistas afirmam que a oferta de diálogo da China - país anfitrião dos Jogos Olímpicos que começam em 8 de agosto - é uma resposta à pressão internacional.

Fontes tibetanas declararam à AFP que a cúpula da Rede de Ajuda Tibetana - organismo regulador dos refugiados tibetanos no mundo - se encontra atualmente reunida em Dharamsala para analisar os acontecimentos.

"Os 32 membros da cúpula estão analisando a situação e discutindo sobre a oferta chinesa de conversações com representantes do Dalai Lama", disse uma fonte da administração tibetana.

Por sua vez, o líder espiritual dos tibetanos retornou no sábado dos Estados Unidos e deve iniciar em 14 de março uma visita de duas semanas ao Reino Unido e a Alemanha, informou seu porta-voz.

A Índia recebeu o Dalai Lama e seus partidários após eles fugirem disfarçados de militares chineses do Tibete, em 1959.

pc/fb

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