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Dalai Lama acusa China de levar tibetanos a inferno na Terra

O líder espiritual tibetano Dalai Lama atacou o governo chinês no Tibete nesta terça-feira ao afirmar que seu povo viveu o inferno na Terra. No aniversário de 50 anos da revolta contra o governo chinês no Tibete, que fracassou e o levou ao exílio, o Dalai Lama afirmou que as políticas da China causaram a morte de centenas de milhares de tibetanos e a demolição de milhares de locais religiosos.

BBC Brasil |


"Ao ocupar o Tibete, o governo comunista da China realizou uma série de campanhas repressivas e violentas que incluíram uma 'reforma democrática', luta de classes, comunas, a Revolução Cultural, a imposição de lei marcial e, mais recentemente, a reeducação e campanhas severas", afirmou.

"Isso lançou os tibetanos em um sofrimento e em dificuldades tão profundas que eles literalmente viveram o inferno na Terra", acrescentou. "O resultado imediato destas campanhas foi a morte de centenas de milhares de tibetanos."

"A linhagem de Buda Dharma foi cortada. Milhares de centros religiosos e culturais como monastérios, conventos e templos foram destruídos. Prédios históricos e monumentos foram demolidos. Recursos naturais foram explorados de forma indiscriminada", afirmou o líder espiritual.

AP
O líder espiritual dos tibetanos, Dalai Lama, chega a templo em Dharamsala

Líder espiritual dos tibetanos chega a templo em Dharamsala

Apesar das críticas, o Dalai Lama afirmou que ainda espera um acordo com as autoridades chinesas. "Precisamos olhar para o futuro e trabalhar pelo nosso benefício mútuo", acrescentou. "Nós, tibetanos, queremos uma autonomia legítima e significativa, uma conciliação que permitirá que os tibetanos vivam dentro da estrutura da República do Popular da China."

O correspondente da BBC em Pequim, James Reynolds, afirma que as palavras do Dalai Lama foram diferentes de seu habitual tom pacífico. De acordo com o correspondente, isso é um sinal de frustração e irritação do líder espiritual tibetano em relação à posição da China.

A China, por sua vez, afirma que libertou os tibetanos da escravidão em uma sociedade feudal. O governo chinês planeja ainda marcar o dia 28 de março, o dia em que, em 1959, o Partido Comunista desmantelou o governo local, como o Dia da Emancipação dos Servos.

Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês, Ma Zhaoxu, descreveu as declarações do Dalai Lama como "mentiras" e acrescentou que as reformas democráticas sob o comando da China são as maiores e mais profundas na história tibetana.

Ma Zhaoxu também culpou o Dalai Lama e seu seguidores pelo que chamou de separatismo. "A porta para a negociação está aberta. Até onde sei, quatro reuniões bilaterais já ocorreram", afirmou o porta-voz. "Agora, o problema mais importante está no fato de que o grupo do Dalai Lama tenta de forma consistente o caminho do separatismo e não admite que esteja errado."

Milhares de soldados chineses e policiais paramilitares teriam sido enviados para regiões habitadas por tibetanos para evitar confrontos na data que marca os 50 anos da revolta no Tibete.

Grupos de ativistas afirmaram que um aumento da tensão já foi registrado em algumas áreas. Como a China não permite que jornalistas estrangeiros tenham acesso irrestrito ao Tibete ou áreas próximas, é difícil verificar essas informações.

Pequim, por sua vez, afirma que aumentou os controles de fronteira, se preparando para "atividades de sabotagem do grupo do Dalai Lama".

Tibetanos pedem longa vida a Dalai Lama; assista ao vídeo:

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