Nova Délhi, 26 abr (EFE).- O líder espiritual dos tibetanos, Dalai Lama, deu hoje boas-vindas às possíveis negociações com a China, desde que estas sejam sérias, disse ao retornar à Índia após uma viagem aos Estados Unidos.

"Depende do tipo de conversa. Se forem conversas sérias, serão bem-vindas", declarou o Dalai Lama à imprensa em Nova Délhi, considerando insuficiente um "simples tête-à-tête", segundo a agência "PTI".

Ontem, a "Xinhua", a agência oficial de notícias da China, anunciou que, nos próximos dias, "departamentos pertinentes" do Governo central manterão "contato e consultas" com um representante privado do Dalai Lama.

"A expectativa é que, através destes contatos e consultas, o Dalai Lama tome decisões confiáveis para frear as atividades destinadas a separar a China e deixe de conspirar para incitar a violência e interromper e sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim", destacaram as fontes.

O Dalai Lama vive exilado na Índia desde 1959, por conta de uma fracassada revolta tibetana contra o regime chinês.

Em comunicado distribuído à imprensa, o primeiro-ministro do Governo tibetano no exílio em Dharamsala, Samdhong Rinpoche, aceitou hoje a oferta chinesa para uma conversa, mas disse que, antes, seria necessária a recuperação da normalidade no Tibete, após a revolta ocorrida em março.

"É necessário um retorno à normalidade antes do reatamento formal de conversas", disse Rinpoche, segundo quem seu Governo está "disposto a dar todos os passos para isso".

Rinpoche acrescentou que, para que o diálogo seja "produtivo", o Governo chinês deve "reconhecer o papel positivo do líder espiritual tibetano ao invés de dar rédea solta à campanha de difamação contra ele".

A China acusa o dalai lama de tentar a independência do Tibete e de ter instigado os protestos de 14 de março na região, nos quais, segundo Pequim, cerca de 20 pessoas morreram, enquanto o tibetano no exílio denunciou 140 mortes.

As duas partes já mantiveram seis rodadas de conversas, mas não há contatos desde julho de 2007, confirmou à Agência Efe o porta-voz do Dalai Lama.

O Governo chinês fechou a região autônoma ao exterior após os acontecimentos de março e a reabriu nesta quinta-feira apenas o turismo doméstico, por isso nem jornalistas nem observadores puderam entrar no Tibete para esclarecer o ocorrido. EFE ja/wr/sc

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